Estrear em uma novela das nove costuma ser um daqueles momentos que dividem a vida de um ator entre antes e depois. Mas Pietro Antonelli parece lidar com essa mudança de forma diferente. Enquanto o público acompanha seus primeiros passos como Felipe em Quem Ama Cuida, novela escrita por Walcyr Carrasco e Claudia Souto, ele evita pensar no tamanho do acontecimento e concentra todas as energias em algo mais simples: o trabalho.
“Pra falar a verdade ainda não caiu a ficha. Pra falar mais a verdade ainda eu tento nem parar para pensar. O problema da vida é parar para pensar. Quando você para pra pensar, você para”, diz ao Pittaplay.
A postura ajuda a explicar como o jovem ator tem encarado um ano de transformações. Até pouco tempo, sua experiência estava concentrada no teatro. Em poucos meses, vieram um filme e agora a estreia no principal horário da dramaturgia brasileira.
“Não penso em nada externo além da obra em si. Fico focado em fazer com verdade, fazer o personagem, fazer uma coisa interessante.”
A magia de entrar na Globo
Filho de Giovanna Antonelli e Murilo Benício, Pietro cresceu vendo os pais circularem pelos corredores dos Estúdios Globo. Mas voltar ao local agora, como ator contratado de uma novela das nove, trouxe sensação diferente.
“A Globo era lugar que eu ia quando criança. Todo lugar quando você é criança tem um tom mágico. É muito doido entrar naquele lugar e pensar que meus pais sempre estiveram ali.”
Ele fala sobre a experiência com entusiasmo genuíno: “É um tesão estar fazendo isso. E o maior tesão de todos é viver fazendo o que eu amo. Às vezes parece que estou indo para a Globo brincar, me divertir e aprender.”
Os mestres dentro de casa
Apesar da estreia, Pietro não chegou completamente despreparado para o universo das novelas. Além de dividir cenas com nomes como Flávia Alessandra e Alexandre Borges, ele cresceu cercado por referências da profissão.
“Tenho o Murilo Benício e a Giovanna Antonelli em casa. Troco muita ideia com meu pai. Nosso programa é ver filme, falar sobre filme, falar sobre atuação.”
Segundo ele, essas conversas ajudaram a construir uma base importante sobre o ofício: “Não desperdiço esses mestres que tenho em casa.”
Construindo Felipe

Sobre Felipe, Pietro admite que o processo ainda está em andamento: “Vou conhecendo ele a partir dos conflitos. Eu pego a situação e penso: o que o Felipe faria com a família que ele tem?”
Uma ferramenta importante para encontrar o personagem foi o sotaque paulista: “Sou muito carioca. No começo eu falava o sotaque paulista o dia inteiro, dentro e fora da Globo. Tem alguma coisa na forma de falar que me ajuda a acreditar no personagem.”
Entre a novela e as redes sociais
Pietro acompanha de longe a repercussão da novela. Ou quase. Ele evita ler comentários por questão de saúde mental: “De dez comentários bons, se eu ler um ruim, é esse que vai ficar na minha cabeça. Então eu prefiro não ver.”
Mas algumas reações acabam chegando até ele. Uma delas envolve o crescente movimento nas redes sociais que torce por um romance entre Felipe e Mau Mau, personagem defendido por João Victor Gonçalves.
“Sei que estão me shippando com o Mau Mau. Tomara que role.”
O ator se mostra empolgado com a possibilidade: “Acho que seria super legal para o personagem. Daria uma trama, conflitos, possibilidades”. Mesmo sem qualquer confirmação no roteiro até o momento, o ator admite que já pensou sobre o assunto: “Eu já tenho até referência, já estudei, já sei como faria.”
Apaixonado pelo amor
Se existe uma possibilidade que anima Pietro dentro de Quem Ama Cuida, ela atende pelo nome de romance e a empolgação não nasce apenas da curiosidade profissional. Ela também tem relação com uma característica que ele assume sem constrangimento.
“Eu sou um cara romântico. Sou apaixonado no amor.”
Por isso, a possibilidade de viver uma história amorosa na novela desperta seu interesse independentemente do formato que ela tenha: “Eu amaria fazer um romance.”
Pietro vai além e afirma que interpretar um relacionamento entre Felipe e Mau Mau representaria uma oportunidade artística importante.
“Por mais que eu seja hétero, sair da zona de conforto é o único lugar onde a gente pode evoluir e melhorar.”
Segundo ele, a arte exige exatamente esse movimento: experimentar realidades diferentes da própria, conhecer novos conflitos e explorar emoções que talvez nunca tenha vivido.
“Eu estou animadíssimo para que isso aconteça.”
Aprender também é errar

Se existe algo que Pietro parece não ter medo, é do erro. Quando questionado sobre a pressão que existe sobre atores jovens para parecerem sempre prontos, a resposta vem sem hesitação: “Tendo espaço ou não, eu vou errar.”
Para ele, o erro faz parte do processo criativo: “Os grandes improvisos vêm do erro. Você erra e faz outra coisa diferente. É aí que surge a oportunidade de melhorar.”
Essa visão também aparece quando assiste às próprias cenas: “Eu me vejo para estudar. Às vezes penso: mandei bem nessa frase. Outras vezes penso: essa dicção foi ruim, preciso melhorar.”
O aprendizado vem da observação constante: “Quando vejo o Chay Suede em cena, por exemplo, fico observando como ele faz.”
A confiança que veio com a novela
Mesmo com pouco tempo de exibição, Pietro reconhece uma mudança provocada pela experiência: “Hoje eu sou um ator mais confiante. A pessoa que eu mais preciso provar, sou eu.”
Segundo ele, a confiança é fundamental para qualquer ator: “Quando você está à vontade numa cena, você entrega uma coisa bonita.”
Coragem para se jogar
No fim da conversa, Pietro revela aquilo que considera sua principal característica, a coragem, que aparece também quando o ator fala sobre o futuro e sobre a forma como encara a profissão.
Ele lembra de história contada por Jim Carrey sobre o próprio pai. Segundo o ator canadense, seu pai sonhava em ser comediante, mas acreditava que não conseguiria viver da arte. Por isso escolheu uma profissão considerada mais segura. Anos depois, acabou sendo demitido e enfrentando dificuldades financeiras da mesma forma.
A lição ficou marcada em Pietro: “Você pode falhar com aquilo que não gosta. Então por que não tentar aquilo que ama?”
Para ele, a coragem de se arriscar é uma das características mais importantes de qualquer trajetória, seja na vida pessoal ou profissional.
“Não tem água na piscina e eu me jogo. Você vai viver só uma vez neste mundo. Amor é uma das melhores coisas que existem na vida. E no âmbito profissional é a mesma coisa. Não existe coisa melhor do que realizar um sonho e ver as coisas acontecendo.”
Pietro acredita que a diferença entre muitas pessoas talentosas e aquelas que conseguem transformar sonhos em realidade não está necessariamente na habilidade: “Não é talento. Acho que muitas pessoas poderiam ter sido grandes artistas ou grandes profissionais se acreditassem mais em si mesmas. Coragem não é uma coisa fácil de ter, mas é uma das coisas que as pessoas mais precisam ter.”
Ao falar do futuro, ele evita rótulos. Não quer ser apenas galã, ator autoral ou protagonista. Quer apenas continuar trabalhando: “Não quero me limitar a nada. Quero fazer o que me colocarem para fazer. Arte é o que eu amo.”
Talvez seja cedo para saber quais caminhos a carreira de Pietro Antonelli irá seguir. Mas uma coisa já parece evidente. Em um ambiente cada vez mais marcado por cobranças, comparações e expectativas, ele escolheu começar da forma mais difícil e mais honesta possível: tentando convencer a si mesmo antes de convencer qualquer outra pessoa.
E, por enquanto, essa parece ser a estreia mais importante de todas.
