Há atores que ocupam o centro da cena. E há aqueles que fazem o centro existir. Romulo Estrela, como Paulinho em Três Graças, pertence ao segundo grupo e talvez por isso sua presença soe tão necessária.
Durante anos, sua trajetória parecia pedir, quase em silêncio, uma oportunidade que o colocasse como eixo narrativo. Ela veio. E não foi desperdiçada. O protagonista concebido por Aguinaldo Silva, Zé Dassilva e Virgílio Silva encontra em Romulo um intérprete que compreende o peso de conduzir uma história, não apenas dizendo falas, mas habitando cada intenção.
Romulo não interpreta o texto. Ele o degusta. Há cadência própria em sua fala, uma pausa consciente, um ritmo que transforma cada frase em pensamento vivo. Paulinho não responde, ele processa, absorve, devolve. E isso sustenta a densidade do personagem.
Na cena exibida na terça-feira, 24 de março, quando descobre que Gerluce (Sophie Charlotte) é a responsável pelo roubo da estátua que ele investiga, o ator atinge um ponto alto de sua construção. A sequência é precisa: direção e edição conduzem o impacto, mas é no rosto de Romulo que tudo se resolve.
Ali, o choro seria fácil. Mas ele escolhe o difícil. A emoção não escorre, ela pulsa. O olhar denuncia a quebra: há amor, há revolta, há tentativa falha de racionalizar o que o coração já entendeu. Paulinho não sabe se acusa ou se acolhe. E Romulo traduz essa fissura com um controle raro.
A sensação de traição não vem em explosão, mas em fragmentos: respiração irregular, silêncio carregado, um corpo que hesita. Ele constrói a dor como quem a descobre no mesmo instante que o público.
Essa é sua maior virtude: fazer do sentimento um acontecimento.
Ao longo da trama, Romulo Estrela firma Paulinho como um protagonista consistente, humano e profundamente conectado com quem assiste. A química com Sophie Charlotte não é esforço é consequência de uma escuta em cena que valoriza o outro.
Paulinho não é apenas o papel certo. É o encontro entre tempo, maturidade e oportunidade.
Foto: Globo




