Sophie Carlotte faz história em Três Graças e Gerluce é a melhor protagonista dos últimos anos

Gerluce não existe sem Sophie. E Sophie, mais uma vez, prova que nasceu para carregar o título de protagonista. Foto: Estevam Avellar/ Globo

A atuação de Sophie Charlotte como Gerluce em Três Graças é daquelas que marcam uma década. Trata-se de um trabalho minucioso, orgânico, visceral, construído em camadas e sustentado com entrega que poucos intérpretes conseguem manter no ritmo intenso de novela das nove.

Gerluce é, sem exagero, a protagonista da década. Há tempos o horário nobre não apresentava heroína tão bem desenhada, humana e complexa. O mérito começa no texto afiado de Aguinaldo Silva, ao lado de Virgílio Silva e Zé Dassilva, um trio que pensou cada detalhe da personagem. Mas é Sophie quem transforma papel em carne, palavra em pulsação.

Ela faz o que sabe fazer de melhor: atuar com o corpo inteiro.

Desde sua estreia em Malhação, como Angelina, já demonstrava potência de protagonista. Em Sangue Bom, como Amora Campana, carregou a narrativa com personalidade e magnetismo. E em Todas as Flores, entregou uma Maíra dilacerada, como se cada capítulo fosse o último de sua carreira.

Gerluce parece ser a síntese de tudo isso, e algo além.

A composição corporal, marca registrada de Sophie, ganha ainda mais força aqui. Ela atua com o olhar, com a respiração, com a postura. Há tensão constante em seus ombros, firmeza no queixo, fragilidade que atravessa os olhos antes mesmo da lágrima cair. Sophie transcende o texto.

A cena em que Gerluce descobre que a neta foi vendida para o tráfico de crianças é um exemplo cristalino. Não há exagero. Há dor contida, incredulidade, revolta, instinto materno e desespero se misturando em segundos de pura verdade. É atuação de raça. É domínio de cena. É técnica a serviço da emoção.

E fica claro: Três Graças é uma novela coral no título, mas é a novela da Gerluce. E Gerluce é Sophie.

Sophie Charlotte é, hoje, a melhor atriz de sua geração. Segura a narrativa com segurança, maturidade e intensidade raras. Não apenas interpreta uma protagonista, ela a incorpora.

Gerluce não existe sem Sophie.
E Sophie, mais uma vez, prova que nasceu para carregar o título de protagonista.

Foto: Estevam Avellar/ Globo

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *