Thaila Ayala realiza desejo de viver grande vilã em Nas Profundezas do Amor

Thaila Ayala interpreta Zara, a grande vilã de Nas Profundezas do Amor, e conta que desejava há tempos viver uma antagonista “sanguinária, má e divertida”. Foto: Beatriz Damy

Foto: Beatriz Damy

Thaila Ayala não precisou procurar redenção para Zara. Em Nas Profundezas do Amor, a atriz encontrou a oportunidade de interpretar a antagonista assumindo a maldade, o exagero e até certo prazer em movimentar o caos: “Ela é má mesmo”, definiu durante coletiva de imprensa acompanhada pelo Pittaplay.

A personagem marca experiência desejada há tempos pela atriz. Depois de interpretar Electra em Família é Tudo, papel que, segundo ela, tinha “um pezinho na vilania”, Thaila queria avançar para uma antagonista que não tivesse medo de ocupar completamente esse lugar: “Eu era louca para fazer uma vilã como Zara. Ela é má mesmo. Sempre desejei fazer uma vilã sanguinária, má e divertida”, contou.

A oportunidade veio em Nas Profundezas do Amor, sétima novelinha Original Globoplay, com estreia marcada para 25 de agosto. Produzida pelos Estúdios Globo, a obra tem roteiro de Paulo Ferreira, direção de Cristiano Marques e 50 capítulos de até dois minutos.

Na história, Zara ocupa posição determinante na tragédia vivida por Serena (Jeniffer Dias). Ambiciosa, ela articula, ao lado da meia-irmã Mila (Tamie Panet), uma conspiração que faz a protagonista ser acusada injustamente de um atentado contra Madalena (Ana Beatriz Nogueira), mãe de Romualdo (Joaquim Lopes).

Dada como morta depois de um incêndio, Serena retorna anos mais tarde com uma nova face e sob a identidade de Carmem Quevedo (Jéssica Córes). É justamente a vingança contra Zara que passa a impulsionar sua volta.

Uma vilã que pode exagerar

A composição de Zara encontrou no próprio formato vertical a possibilidade de experimentação. O diretor Cristiano Marques apresentou a Thaila uma indicação importante logo no início do processo: queria uma vilã assumidamente vilanesca, mas atravessada por ironia e algum humor: “Ele me trouxe a referência: ‘Eu quero uma vilã, mas preciso que ela tenha um ar cômico. Preciso que ela seja vilã, porém que traga essa ironia’. Acho que ele me deu um caminho muito claro nessa criação”, explicou a atriz.

Thaila afirma ter compreendido rapidamente o tom pretendido pelo diretor. A partir dali, encontrou espaço para trabalhar uma personagem maior no gesto, nas reações e na maneira de ocupar a cena.

A escolha dialogava diretamente com aquilo que Paulo Ferreira havia planejado no roteiro. Durante a coletiva, o autor contou que estudou intensamente a linguagem das produções verticais antes de escrever Nas Profundezas do Amor. Consumidor do formato, ele afirma já ter assistido a mais de 300 novelinhas e possuir 18 aplicativos dedicados a essas produções no celular.

Foi principalmente nas vilãs melodramáticas das produções estrangeiras que encontrou uma das referências para Zara: “O exagero foi proposital mesmo. Eu falei: ‘Vou concentrar todo o exagero, o máximo de exagero que eu puder, nessa vilã’”, explicou Ferreira.

A decisão não foi apenas estética. Em uma narrativa na qual cada episódio possui até dois minutos, Zara ganhou também uma função estrutural: “Eu precisava de um personagem que movimentasse a trama o tempo inteiro”, afirmou o autor.

Liberdade para experimentar

Se o texto autorizava o exagero, a direção abriu espaço para Thaila descobrir até onde poderia levá-lo.

A atriz contou que Cristiano Marques lhe deu liberdade para experimentar durante as gravações, ainda que nem tudo necessariamente permanecesse na montagem final. Isso fez com que ela adotasse uma estratégia: chegar ao set com o texto bastante preparado para usar o pouco tempo disponível na criação de outras possibilidades para Zara: “O texto do Paulo já me entregava muito e o Cris deixava eu pirar mais ainda. Fiquei experimentando muitas coisas ali no set. Eu chegava com o texto muito pronto para ter chance de arriscar as coisas que eu queria trazer para ela, camadas que eu queria trazer, loucuras a mais que eu queria trazer”. 

A liberdade também passou pelo corpo. Thaila reconhece ter encontrado em Zara a possibilidade de exteriorizar sentimentos que, em outros trabalhos, poderiam permanecer concentrados em movimentos menores ou apenas no olhar: “Poder realmente ter esse exagero foi ainda mais divertido. Não precisar conter tanto aquele sentimento, que às vezes a gente precisa deixar tudo aqui dentro, só mostrar no olhar, mas poder falar com o corpo foi ainda mais divertido”.

O resultado fez de Zara uma experiência especialmente prazerosa para a atriz. “Foi um dos personagens que eu mais me diverti fazendo”, afirmou.

Zara e Mila: vilania em família

A construção da antagonista, porém, não termina em Zara. Paulo Ferreira encontrou na relação com Mila uma maneira de impedir que a personagem permanecesse apenas no terreno da perversidade.

Interpretada por Tamie Panet, Mila é meia-irmã e cúmplice da vilã. A relação entre as duas mistura admiração, dependência, inveja e rejeição. Segundo o autor, a personagem surgiu justamente como uma possibilidade de acrescentar outra dimensão à antagonista.

“Criei a Mila para dar alguma camada para a Zara, para ela não ser também só aquela pessoa ruim, ruim, ruim”, explicou.

Tamie define a relação entre as irmãs pela contradição. Mila deseja ser Zara ao mesmo tempo que sente horror por ela. Precisa da irmã, participa de suas ações e encontra nela uma espécie de espelho deformado de seus próprios desejos.

Para Thaila, a cumplicidade construída com Tamie fora das cenas ajudou a fazer essa relação funcionar diante da câmera: “A gente entrou numa química muito boa”, avaliou.

É nessa combinação entre exagero, humor, perversidade e conflito familiar que Zara encontra seu lugar em Nas Profundezas do Amor. Para Thaila Ayala, também representa a oportunidade de finalmente assumir sem meias medidas um tipo de personagem que desejava há tempos.

Se Serena e Carmem precisam atravessar a tragédia para buscar justiça, Zara está do outro lado dessa engrenagem. É a mulher encarregada de garantir que, em uma história na qual cada minuto importa, a paz nunca dure tempo demais.

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