Valentina Herszage mergulha nas contradições de Manuela em ‘Emergência 53’

Valentina Herszage mergulha nas contradições de Manuela em ‘Emergência 53’

Foto: Laura Campanella

Manuela sabe cuidar de alguém, conhece enfermagem e escolheu uma profissão que exige estar disponível para o outro quando esse outro atravessa um dos momentos mais vulneráveis da vida. O problema é que cuidar de si mesma parece ser tarefa muito mais complicada. É nessa contradição que Valentina Herszage encontrou uma das principais chaves para construir sua personagem em Emergência 53, nova série do Globoplay que estreia em 20 de agosto.

Inspirada no cotidiano dos profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), a produção acompanha equipe que percorre diferentes territórios do Rio de Janeiro atendendo ocorrências que colocam os personagens diante de acidentes, mortes, conflitos familiares e realidades sociais distintas. Para Valentina, contar essas histórias já seria razão suficiente para aceitar o projeto.

“Quando chegou que era uma série sobre os profissionais do Serviço Móvel de Urgência, isso me interessou muito, porque eu já era fã de Sob Pressão. É uma série inspirada nos profissionais do SAMU, que são pessoas que eu admiro muito, então me deu essa vontade de fazer parte”, conta ao Pittaplay.

Uma enfermeira que precisa descobrir a rua

Manuela chega a esse universo partindo de um lugar muito diferente daquele de boa parte das pessoas que encontrará durante os atendimentos. Ela pertence a uma família rica, cresceu cercada pela medicina e é filha do proprietário de uma rede de hospitais privados. Ainda assim, não quer ser médica. Quer ser enfermeira e sonha em trabalhar em uma zona de guerra.

A série demora a entregar todas as razões por trás dessa escolha. Segundo Valentina, cada episódio permite um mergulho maior na história de determinado personagem, e o capítulo nove será dedicado à vida de Manuela: “Eu, como atriz, obviamente já tinha trabalhado tudo isso, todas essas memórias afetivas. Então começo a série sabendo profundamente qual é a motivação dela. E isso é legal porque a série cultiva esses mistérios até a hora em que você assiste e entende tudo”.

Uma das respostas está na infância. Uma enfermeira que trabalhou para sua família tornou-se referência importante para Manuela. Outra está relacionada ao irmão que perdeu e cuja história vai sendo aprofundada ao longo dos episódios: “Acho que ela carrega essa pessoa durante toda a série. No começo da temporada, ela já revela que perdeu um irmão e, ao longo dos episódios, o público vai entendendo a importância desse irmão na vida dela e a importância dessa enfermeira que cuidou dele. Acho que é uma das grandes coisas que movem ela. É honrar esse irmão”.

Antes de chegar a essas respostas, porém, Manuela precisa encarar aquilo que nenhum conhecimento técnico poderia antecipar completamente: a rua: “Ela chega bem despreparada, toma um susto. Esses profissionais chegam nos acidentes, chegam na cena muitas vezes em lugares em que nunca foram, que não conhecem. As pessoas que estão passando estão em volta, existe uma comoção real. A série começa a partir do olhar dessa personagem muito curiosa e muito assustada com aquilo”.

Inexperiência não significa ingenuidade

Construir esse começo exigia cuidado para que a falta de experiência de campo não transformasse Manuela em uma personagem simplesmente ingênua. Valentina encontrou a solução menos na demonstração e mais na observação: “O ator não tem que mostrar nada. Não fui para essas sequências iniciais pensando: ‘Vou mostrar que ela não sabe nada’. Acho que isso acaba colocando a personagem em lugar ingênuo. Coloquei num lugar mais desse olhar do novo, da dúvida”.

A personagem chega observando, escutando e tentando compreender os profissionais ao redor. Afinal, ela estudou enfermagem e possui conhecimento técnico. O que ainda não possui é a memória emocional de quem já enfrentou inúmeras ocorrências.

Valentina também pôde aproveitar algo bastante concreto: seu próprio nervosismo diante das complexas coreografias médicas: “A gente fez uma superpreparação médica, mas tinha nervosismo real de acertar aquela coreografia que, para mim, funcionou para a personagem também. Ao mesmo tempo, é uma personagem informada em enfermagem. Ela estava estagiando. Tem conhecimento. O que ela não tem é essa experiência de campo”.

A preparação individual durou três meses. Além do treinamento técnico, a atriz construiu um “subterrâneo” para a personagem: acontecimentos que não necessariamente apareceriam na tela, mas dariam sustentação às escolhas de Manuela.

Uma dessas construções envolveu imaginar a conversa com o pai antes do começo da história. É ele quem a coloca na unidade de emergência na tentativa de assustá-la e fazê-la repensar suas escolhas: “Tentei imaginar, construir o que teria sido essa conversa deles, como ela chegou até ali. Coisas que realmente não aparecem. A gente já pega de um certo ponto, mas isso preenche muita coisa e dá uma sustentação para o mistério. Não fica aquele mistério pelo mistério, ele tem algum recheio”.

Quando o corpo da atriz responde à emergência

Valentina Herszage vive Manuela, enfermeira que troca uma realidade privilegiada pela intensidade dos atendimentos de emergência e precisa aprender a lidar com os desafios da profissão em Emergência 53. Foto: Laura Campanella
Valentina Herszage vive Manuela, enfermeira que troca uma realidade privilegiada pela intensidade dos atendimentos de emergência e precisa aprender a lidar com os desafios da profissão em Emergência 53.
Foto: Laura Campanella

Se a preparação exige meses, a emergência exige segundos. Essa oposição também atravessou o trabalho de Valentina. Nas sequências de atendimento, havia acidentes construídos em grande escala, vítimas ensanguentadas, maquiagens de queimadura, calor, figuração e toda uma estrutura que ajudava a colocar os atores fisicamente dentro daquela circunstância.

“Tudo isso que a gente construiu, na hora da cena, não existe no sentido de você não estar pensando no que construiu. Na hora da cena é simplesmente o jogo da cena, o que acontece ali”.

É nesse momento que a estrutura ao redor também passa a atuar sobre quem interpreta: “O corpo responde àquilo que a gente vê. Esses personagens desejam entrar na cena e ajudar as pessoas. Então tem um corpo que quer ir, só que tem uma personagem com medo de uma coisa que é nova. Tem esse corpo que quer, mas que se apavora, que paralisa”.

Para Valentina, esse resultado também pertence à coletividade. Cenografia, caracterização, direção, figuração e os demais departamentos ajudam a produzir uma realidade ficcional capaz de provocar respostas concretas no corpo dos atores.

Como cuidar sem carregar todas as dores?

Existe outro aprendizado esperando Manuela. Os profissionais chegam à vida de desconhecidos justamente quando eles estão mais vulneráveis. Pouco depois, entregam o paciente ao hospital e partem para uma nova ocorrência.

Valentina evita chamar essa dinâmica de frieza: “Não sei se chamaria de frieza porque, ao mesmo tempo, acho que tem uma compaixão intrínseca da profissão. Mas existe um protocolo, existe ordem médica. Com certeza esses profissionais vão fazer o melhor que podem para salvar a vida daquelas pessoas”.

Durante a preparação, relatos dos próprios socorristas mostraram como uma chamada pode esconder uma realidade completamente diferente daquela inicialmente informada: “Os enfermeiros relataram muito isso. Às vezes a pessoa liga e fala: ‘Minha avó caiu’. Quando eles chegam lá, são crianças passando fome. Eles nunca sabem o que vão encontrar”.

Manuela também precisará enfrentar a primeira morte de um paciente. O impacto será grande, mas a rotina não para: “Eles entregam o paciente no hospital e já estão no próximo atendimento. A Manuela passa por um momento em que perde um paciente e é super difícil, porque é a primeira morte que ela experiencia. Mas acho que tem que haver algo protocolar porque essas pessoas também têm seus dramas, sua vida, suas angústias. Se elas se apegarem a todos os pacientes, acho que nem tem como seguir. É muito duro”.

Uma mulher que salva os outros e ainda precisa aprender a cuidar de si

Emergência 53 encontra uma das contradições mais interessantes de Manuela, pois a jovem escolhe dedicar a vida ao cuidado, mas enfrenta conflitos familiares e comportamentos autodestrutivos: “O arco da personagem se sustenta na contradição. Porque, se ela fosse uma pessoa extremamente resolvida, ‘é isso que eu quero fazer’, não tinha a série. Essa personagem não existiria”.

A origem de parte dessas feridas está dentro de casa. Há a relação com o pai, a mãe, a morte na família e sentimentos que não foram completamente processados: “Como todo mundo, ela tem muitas questões familiares. A relação dela com a mãe, a relação com o pai. Ela passa por uma morte muito difícil na família. Tudo isso faz com que a pessoa, esteja onde estiver, esteja carregando dores e cicatrizes”.

Para a atriz, existe ainda uma discussão importante sobre saúde mental dentro de profissão submetida diariamente a histórias extremas: “É um esforço cuidar dessa saúde mental. É importante porque é o dia inteiro lidando com histórias superpesadas”.

E, embora desafiar o projeto imaginado pelo pai possa parecer apenas rebeldia, Valentina acredita que a escolha profissional de Manuela é genuína: “Conversando com vários enfermeiros socorristas, eles falam que só está ali quem quer. Não existe você estar ali para provar um ponto porque alguém disse que você tem que estar. É realmente um trabalho para aqueles que vieram para esse mundo para fazer isso”.

Por isso, Manuela permanece: “Acredito muito que a Manuela está ali porque deseja muito, porque precisa muito. Nem sempre isso é tão claro e gostoso. Tem esse conflito: como eu cuido de mim? Como cuido da minha saúde mental? Como consigo manter um relacionamento? Como sigo a relação com minha família? Tem todas essas questões que tornam a série muito rica”.

Do privilégio às diferentes realidades do Rio

O deslocamento da ambulância permite que Emergência 53 atravesse diferentes recortes sociais. Segundo Valentina, os profissionais que inspiraram a série atendem da moradora de uma cobertura na Barra da Tijuca às pessoas que vivem nas comunidades: “Tem uma coisa desse corpo móvel que chega em todo mundo. E é um serviço que funciona muito, então é legal que ele seja celebrado”.

Essa diversidade também ajudou a chamar atenção quando a produção foi apresentada internacionalmente em Berlim. Serviços móveis de emergência existem em diferentes países, mas as histórias encontradas pela ambulância são profundamente brasileiras: “O Brasil tem muitas texturas. O Rio de Janeiro é um personagem forte na série. O Rio vai de uma ponta a outra, tem todo tipo de gente, de realidade, de temperaturas. Acho que o Rio foi algo que chamou atenção das pessoas porque ele está muito retratado na série”.

Representar profissionais que existem fora da ficção também colocou uma responsabilidade sobre o elenco desde o princípio: “Entrei com essa responsabilidade, com essa vontade de conhecer essas pessoas, conversar, entender qual é o ponto fraco delas, onde se sentem angustiadas, onde ficam nervosas”.

Enfermeiros e profissionais do SAMU estiveram próximos durante a preparação e as gravações:“A ideia sempre foi caminhar junto, homenagear também e trazer o entretenimento”.

Isso não significa transformar Emergência 53 em reprodução documental do serviço. Há concessões dramáticas necessárias à ficção, algo discutido inclusive com profissionais envolvidos no projeto: “Tem coisas que, no dia a dia, não se fazem, mas, para a série continuar interessante, a gente floreia, digamos assim, para realmente fisgar todo mundo”.

Valentina e Manuela cresceram juntas

Como Manuela, Valentina Herszage levou para as cenas a tensão de quem possui conhecimento técnico, mas ainda descobre na prática a imprevisibilidade e a carga emocional do atendimento de emergência. Foto: Laura Campanella
Como Manuela, Valentina Herszage levou para as cenas a tensão de quem possui conhecimento técnico, mas ainda descobre na prática a imprevisibilidade e a carga emocional do atendimento de emergência.
Foto: Laura Campanella

Ao terminar as gravações, Valentina percebeu que sua própria experiência caminhou, em determinado sentido, paralelamente à de Manuela.

A atriz chegou ao projeto diante de uma rotina pesada, cercada por dúvidas naturais sobre o desafio que encontraria. Aos poucos, a convivência com uma equipe acostumada a trabalhar junta transformou essa relação: “Você sempre entra no projeto com receios, com medo. ‘Como é que vai ser? Será que vou dar conta?’ É uma equipe tão legal, tão acolhedora, uma equipe que trabalha junto há muitos anos, que fui aos poucos me sentindo mais à vontade, me soltando”.

Manuela atravessa processo semelhante: “Tem uma coisa de chegar primeiro e observar, primeiro escutar, que acho que é um paralelo que tenho com ela, até conseguir realmente me sentir. É uma profissão muito desconfortável, não tem jeito. Mas, quando você tem uma equipe legal e se sente bem, fica um pouco mais confortável no desconforto”.

Do cinema à televisão, sem fórmulas

Emergência 53 também chega em um momento no qual Valentina já acumulou experiências bastante diferentes entre cinema, séries e novelas.

Embora reconheça particularidades em cada linguagem, ela não estabelece uma hierarquia entre as dificuldades: “O filme é um recorte. Às vezes a gente filma dois meses, que já é um tempo grande. Você se dedica àquele recorte da história, sabe o que vai acontecer, mas é extremamente artesanal. Você tem mais tempo para fazer as cenas. A novela é um pouco mais acelerada, você faz 30 cenas por dia”.

Valentina reconhece identificação especial com o cinema, mas credita à televisão outros aprendizados: “Me vejo mais no cinema, gosto dessa ideia de contar histórias recortadas. Mas a TV também me ensinou e me ensina muita coisa. Ensina você a encontrar caminhos que às vezes são menos sofridos, porque você tem menos tempo para pensar. O cinema, você emburaca porque tem tempo, e a TV te acelera. Acho que uma coisa completa a outra”.

Mesmo carregando experiências anteriores, ela não procura conscientemente transportar uma personagem para outra: “Nunca é do zero porque sou sempre eu que estou emprestando meu corpo, minhas expressões. Existe uma Valentina ali. Não sou do time que acredita na metamorfose. Acho que estamos ali sempre de alguma maneira”.

Há, contudo, uma característica que atravessa seus trabalhos: a diversão: “Tento sempre me policiar para, apesar das questões, de como é difícil construir um personagem, do dia a dia do set, não esquecer de chegar lá e me divertir, fazer o que eu gosto de fazer. Acho que é isso que une as personagens”.

De ‘Pega Pega’ a ‘Hebe’

Essa compreensão foi construída ao longo da carreira. Em Pega Pega, sua primeira novela, Valentina viveu Bebeth e encontrou no diretor Luiz Henrique Rios, na preparadora Maria Beta Perez e em Mateus Solano um importante suporte para enfrentar a longa duração da televisão: “Fui muito amparada por essas pessoas, que me deram as mãos. E aí fomos juntos”.

Com Mateus, aliás, formaria posteriormente uma parceria que voltaria a aparecer em Quanto Mais Vida, Melhor!. Na novela, os personagens passaram cerca de 50 capítulos com os corpos trocados, exigindo que os atores reproduzissem comportamentos construídos pelos colegas: “Eu e Mateus temos essa coisa da dupla mesmo. A gente pode fazer pai e filha, pode fazer marido e mulher, pode fazer nora… A gente pode fazer tudo porque se dá bem em cena”.

Sob direção de Allan Fiterman, os ensaios ganharam importância para encontrar esses gestos e comportamentos: “Tem esse olhar de fora, que é muito importante quando você está fazendo um personagem que alguém já fez. Alguém falar: ‘Olha, não é bem assim, é mais assim. Tenta falar desse jeito’. A gente estava sempre testando e se divertindo muito. Acho que isso chega ao público também”.

Mas foi em Hebe, dividindo diferentes fases da apresentadora com Andrea Beltrão, que Valentina encontrou uma lição que ainda carrega: “Foi um dos trabalhos que guardo com mais carinho e alegria porque aprendi muito com Andrea essa noção de se divertir. Acho que ela me colocou nesse trilho”.

A extensa preparação envolveu voz, corpo, canto e encontros entre as duas atrizes para estabelecer pequenas continuidades: “A gente combinou gestos, coisas sutis que acabam unindo vocês na mesma personagem. Um jeito de ajeitar o batom, um jeito de limpar o choro, a postura, o jeito de andar”.

‘Ainda Estou Aqui’ e a memória que atravessa Valentina

Outro capítulo inevitável dessa trajetória é Ainda Estou Aqui. Antes do filme de Walter Salles, Valentina já havia participado de outras obras sobre a ditadura militar, entre elas O Mensageiro, de Lucia Murat.

“Esse foi meu terceiro filme sobre a ditadura militar. É um tema que eu já tinha estudado bastante. O meu bisavô foi preso na ditadura também. Tem alguma coisa na minha família que percorre essa história toda desses anos de sofrimento, de assassinatos.”

Para uma atriz apaixonada por cinema, trabalhar com Walter Salles já representava, por si só, uma conquista: “A gente fez o filme, obviamente, sem pensar no Oscar, nos prêmios. A gente fez com o comprometimento de honrar essa família, honrar o Rubens e, ao mesmo tempo, falar do Brasil atual. Porque a gente precisa estar sempre atento, nunca esquecer. Foi um processo incrível. É um filme que me marcou profundamente em todas as suas etapas”.

“Uma série que não subestima o público”

Agora é Manuela quem chega ao público. Depois de meses de preparação e de uma rotina intensa de gravações, Valentina não esconde o afeto pela personagem: “Estou muito animada para as pessoas conhecerem a Manuela. Foi uma personagem que amei muito fazer, muito, muito, muito. Realmente coloquei todo meu coração, toda minha atenção. Me senti muito sortuda de estar ali com aquelas pessoas numa produção tão incrível”.

E a atriz faz uma promessa sobre aquilo que o público encontrará em Emergência 53: “Acho que as pessoas vão receber um presente porque é uma série muito bem feita. Uma série que não subestima o público de forma alguma. Ela não é panfletária, não é simplista. É uma série complexa. Acho isso muito legal”.

Depois de Manuela, Valentina já tem outro trabalho filmado. A atriz estará em um longa protagonizado por Anitta, ainda sem título definitivo, previsto para chegar ao público provavelmente em 2027. E, depois de tantas histórias atravessadas por conflitos densos, ela celebra justamente a possibilidade da leveza.

“É um filme que gostei muito de fazer, um filme leve, que fala de juventude, de descobertas. Nem tudo precisa ser tão grandioso no sentido de tragédias. É legal poder trazer uma coisa mais leve, gostosa de assistir. Isso também é importante para o dia a dia, porque temos um dia a dia tão pesado, com tantas notícias”.

Entre a leveza que procura como espectadora e as emergências que agora leva à tela, Valentina parece encontrar o mesmo princípio que atravessa sua trajetória: personagens podem mudar, linguagens podem exigir outros ritmos e o trabalho pode se tornar profundamente complexo. Mas atuar, para ela, ainda precisa conservar aquilo que aprendeu a não esquecer: o prazer de estar ali e se divertir contando uma história.

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