Foto: Higor Nery
Leandro Fazolla e Rohan Baruck são um casal fora dos palcos, escreveram juntos a dramaturgia de Essa Peça Tem Beijo Gay e agora dividem em cena um conflito que, embora ficcional, atravessa diretamente suas experiências. A peça não nasce apenas da observação de uma sociedade que continua transformando afetos LGBTQIAPN+ em debate público. Nasce também daquilo que os dois aprenderam a medir no cotidiano: onde é seguro demonstrar carinho, quais gestos precisam ser contidos e quanto de uma relação pode permanecer verdadeiramente privado quando determinados corpos são tratados como assunto coletivo.
Sob direção de Dadado de Freitas, o espetáculo acompanha Pedro e João depois que uma fotografia de um beijo circula pelas redes sociais. A imagem desencadeia uma discussão sobre exposição, medo, proteção, desejo e autocensura. O beijo está no título e movimenta a narrativa, mas nunca é apenas sobre ele.
Em entrevista ao Pittaplay, Leandro e Rohan aprofundam as inquietações que deram origem ao projeto, revelam como as vivências do casal atravessaram a escrita e explicam por que a peça se recusa a oferecer uma resposta simples sobre quem está certo ou errado.
Um beijo que nunca consegue ser apenas um beijo
Idealizada em 2023, a montagem nasceu inicialmente da vontade dos dois artistas de criarem um trabalho próprio. Durante o período entre o surgimento da ideia e a obtenção dos recursos necessários para levá-la ao palco, o tema continuou sendo alimentado pela realidade.
Leandro recorda que não houve um acontecimento isolado capaz de determinar a escolha. A dramaturgia foi se formando a partir de episódios públicos, memórias pessoais e notícias que repetidamente colocavam o chamado “beijo gay” no centro da discussão.
“Entre começar a desenvolver a ideia e finalmente estreá-la, íamos o tempo todo sendo atravessados por uma série de questões que envolviam o tal ‘beijo gay’ que, no fim das contas, deveria ser só um beijo, sem nenhuma adjetivação. Desde a censura do ex-prefeito Crivella aos quadrinhos com um casal gay se beijando na Bienal do Livro até as inúmeras notícias nas redes sociais sobre os tantos primeiros beijos gays nas novelas. Somamos a isso o nosso próprio repertório de vida, as tantas vezes que a ideia de beijo gay atravessou nossas vivências, dentro ou fora do armário”.
A lembrança do beijo gravado para a novela América, exibida pela TV Globo em 2005 e nunca exibido, assim como os inúmeros casos de violência contra casais que demonstram afeto em público, ajudaram a consolidar a pergunta central da obra.
“O tempo todo somos atravessados por notícias, positivas ou negativas, sobre a ideia de beijo gay, um beijo que nunca pode ser só um beijo. Tudo isso nos fazia perguntar esse porquê. E resolvemos responder, ou ampliar as perguntas, coletivamente, no palco, trocando com a plateia”.
A peça começa onde a intimidade deixa de ser privada
A fotografia que desencadeia a crise entre Pedro e João não cria apenas um problema externo. Ela obriga o casal a confrontar os limites que já existiam dentro da relação. Para Rohan, os personagens são apresentados inicialmente em um ambiente privado, onde conseguem experimentar alguma liberdade e demonstrar afeto sem o peso imediato do julgamento social.
“Os personagens se apresentam dentro de um contexto bem específico, privado, onde é possível testemunhar algum tipo de pureza em suas demonstrações de afeto. Inclusive, esta é a principal questão do espetáculo: tornar pública a intimidade desse casal, onde o amor e o medo acabam se tornando também um ponto de reflexão. O que estamos construindo? O que está nos impedindo de ser quem gostaríamos de ser?”
Essa passagem do privado para o público abre múltiplas possibilidades de interpretação. O desafio do ator não estava em acentuar o medo ou transformar o personagem em alguém permanentemente paralisado, mas em permitir que o conflito emergisse sem ser excessivamente explicado.
“Com tantos caminhos possíveis, escolher aquele em que a interpretação não sublinhe o que se sente, mas proponha olhares para a subjetividade dos corpos em cena, é o maior desafio. Sobretudo considerando nossa proximidade com as questões tratadas por esse casal. Dá vontade de muita coisa. Dá vontade de extrapolar o sensível e esbravejar a partir de toda uma racionalidade. Mas aí, o que vai sobrar para o público?”
A contenção torna-se, portanto, uma escolha artística. Rohan não deseja que a plateia apenas observe o sofrimento dos personagens à distância: “A gente não quer voyeurs. A gente quer que o público se sinta parte do conflito e sinta junto a esses personagens. A paralisia acontece da porta para fora, mas dentro de casa é possível que eles sejam eles mesmos”.
Antes que alguém censure, o corpo já aprendeu a se vigiar
Leandro e Rohan nasceram e cresceram na Baixada Fluminense. Os deslocamentos entre a periferia e a capital ensinaram aos dois que o comportamento pode mudar de acordo com o lugar, não por escolha estética, mas por autoproteção.
A roupa, o modo de andar, a possibilidade de segurar a mão do companheiro e até a forma de ocupar uma rua passam a ser calculados. A peça incorpora esse aprendizado silencioso e pergunta o que acontece quando a censura externa se transforma em vigilância interior.
“Nossa existência normalmente é pautada pela autocensura. Crescemos ouvindo que não podemos brincar de boneca, não podemos dançar, cruzar as pernas, ‘desmunhecar’. Essa censura externa vai, o tempo todo, nos moldando e fazendo com que a autocensura seja inerente à nossa própria vontade”, diz Leandro.
Para ele, não se trata exatamente de aprender voluntariamente a esconder determinados gestos. A sociedade estabelece os limites primeiro; depois, o próprio indivíduo passa a administrá-los: “Acho que a gente não necessariamente ‘aprende’ a se autocensurar. A sociedade nos impõe isso de forma automática. O que temos que aprender de verdade é a sermos livres, e isso nem sempre é fácil”.
O preconceito também se digitalizou
A circulação da fotografia na peça atualiza esse mecanismo de vigilância. Para Rohan, no entanto, as redes sociais não inventaram o julgamento: apenas ampliaram sua velocidade, seu alcance e sua permanência: “A culpa não é das redes sociais: elas são apenas uma plataforma. Assim como a vida, o preconceito também se digitalizou, se conectou e ganhou novas formas de circulação”.
Em um ambiente cada vez mais algorítmico, qualquer imagem pode ser retirada de contexto e submetida ao julgamento de milhares de pessoas. Mas a fiscalização dos corpos LGBTQIAPN+ começa muito antes de alguém apontar uma câmera: “Essa vigilância não começa quando alguém aponta uma câmera. Ela já está presente no olhar que constrange dois homens que se beijam, na reação diante de uma pessoa trans em um banheiro, na maneira como determinados corpos, roupas, vozes e gestos são considerados inadequados para certos espaços”.
A consequência mais perversa surge quando esse olhar é interiorizado. Mesmo sem testemunhas aparentes, permanece a sensação de que alguém pode observar, registrar ou condenar: “Muitas pessoas LGBTQIAPN+ aprendem a calcular onde podem demonstrar afeto, como devem se vestir, que tom de voz utilizar, quais fotografias podem publicar e até que partes de si precisam esconder para evitar violência. Mesmo quando ninguém está filmando, permanece a sensação de que alguém pode estar olhando”.
Rohan reconhece que as redes também criaram comunidades, permitiram a circulação de outras narrativas e deram visibilidade a violências antes silenciadas. O problema, para ele, está na desigualdade com que a exposição funciona: “Alguns corpos podem existir publicamente sem precisar se justificar, enquanto outros continuam sendo tratados como provocação, ameaça ou espetáculo. Talvez a pergunta central seja: por que um gesto cotidiano, quando realizado por uma pessoa LGBTQIAPN+, ainda parece autorizado a se transformar em assunto público?”
Dois personagens que se amam e discordam profundamente
A peça poderia ter organizado o conflito de forma confortável, indicando claramente qual personagem deveria receber a adesão do público, mas Leandro e Rohan escolheram caminho mais complexo.
Para Leandro, a dimensão política sempre seria inevitável. O principal desafio da escrita consistiu em humanizar dois homens com posições muito diferentes sem transformar um deles em algoz: “Sempre soubemos que queríamos criar um conflito em que não houvesse necessariamente certo e errado, mas pontos de vista diferentes, com motivações diferentes”.
O risco estava em fazer com que a compreensão de um personagem acabasse legitimando um discurso contrário àquilo que os autores desejavam defender, especialmente quando a proteção proposta por Pedro se aproxima da autocensura.
“O risco era, na busca por humanizar os dois personagens, criar discurso político contrário ao que acreditamos, que pudesse justificar e, mais do que isso, endossar a autocensura. Foram muitos processos de reescrita, inclusive na sala de ensaios, com a supervisão e direção do Dadado de Freitas, até chegarmos a um resultado que atendesse ao discurso, sobretudo político, que queremos lançar ao mundo”.
Pedro acredita que proteger a relação e o companheiro pode exigir o apagamento público daquele amor. A contradição está em perceber que a tentativa de evitar a violência também pode ferir o casal: “O personagem vive esse grande conflito entre se proteger, proteger o João e levar isso ao limite, muitas vezes sem perceber que essa proteção pode ferir mais a eles mesmos do que qualquer outra coisa”, explica Leandro.
O beijo é o motivo, mas não a causa
Rohan considera que a discussão sobre o direito de existir plenamente começa antes mesmo da primeira fala. A direção de Dadado de Freitas transforma a entrada do público e o prólogo em partes ativas da encenação: “Todo aquele mise-en-scène que acontece enquanto o público ocupa seus lugares já é uma discussão, o contexto para ela. Há, já de cara, uma quebra de limites entre a ideia de personagem e não personagem e, ao longo de toda a encenação, há também uma convocação ao público”.
As perguntas apresentadas no início convidam a plateia a abandonar a posição passiva e entrar no estado de jogo. Por isso, Rohan recusa a ideia de que a narrativa seja propriamente sobre um beijo: “O beijo é o motivo, mas não a causa. Existem muitas camadas nestes dois personagens. Eles foram atravessados por muita coisa, justamente para existirem, e a foto do beijo é a deixa para eles colocarem para fora tudo o que pensam sobre eles e sobre a relação deles com a própria sociedade”.
Quando a ficção encontra a vida do próprio casal
Leandro e Rohan não apenas interpretam Pedro e João. Os dois escreveram a dramaturgia e vivem uma relação amorosa fora do teatro. A intimidade não tornou necessariamente a atuação mais difícil, mas atravessou profundamente o processo de escrita: “Era difícil, sendo um casal gay, não se afetar pelos argumentos que precisávamos criar. Como não correlacionar, em algum grau, os conflitos ficcionais aos conflitos reais? Na verdade, nem era bom que a coisa fosse muito distante”.
A intenção era construir reconhecimento, fazendo com que o público encontrasse nos personagens situações próximas da própria vida. Por isso, a dramaturgia reúne experiências dos autores, relatos de amigos, reportagens, artigos e outras fontes de pesquisa.
“A dramaturgia é composta por diversas situações reais, quando não nossas, de materiais de pesquisa. Já quanto à interpretação, ela é uma organização do que a gente é e vive, aliada à criação ficcional a partir do potencial que aquele personagem tem, independentemente de estarmos atuando com alguém com quem se vive e tem intimidade. Sempre tem algo nosso ali, nem tem como ser diferente”.
A escolha de falar em primeira pessoa também significou romper com determinadas representações historicamente impostas a personagens LGBTQIAPN+: “Uma coisa tínhamos certeza: não queríamos fazer uma peça onde o único caminho para pessoas LGBTQIAPN+ seria a morte por violência ou alguma doença sexualmente transmissível. Não queríamos reforçar esses estereótipos que já não cabem mais. Queríamos falar em primeira pessoa, das nossas próprias angústias, nossos medos e as consequências que estes causam em nossas próprias vidas”, afirma Leandro.
Esconder quem se é também pode ultrapassar a orientação sexual
Ao falar sobre os conflitos do personagem, Rohan aproxima a ficção de uma experiência muito particular. O ator compreendeu sua orientação sexual aos 29 anos, depois de ter vivido durante doze anos uma relação com uma mulher, considerando o período de namoro, noivado e união: “Eu não escondia minha sexualidade porque não percebia a existência desta orientação. Achava homens bonitos, mas não os desejava, pelo menos não conscientemente”.
Mesmo acreditando em sua heterossexualidade, Rohan já sentia que determinados comportamentos eram observados e corrigidos socialmente: “Durante toda a minha vida, enquanto acreditei na minha heterossexualidade, me vi sendo tolhido em meus comportamentos, em minha maneira de vestir, de falar. Mesmo sem qualquer demonstração de desejo por pessoas do mesmo sexo”.
Essa experiência amplia o alcance da peça. O conflito permanece profundamente relacionado às vivências LGBTQIAPN+, mas também encontra qualquer pessoa que, em algum momento, precisou esconder uma parte de si para caber em determinado ambiente: “Acredito que os dilemas do espetáculo orbitam neste cenário e acabam afetando as pessoas de uma maneira universal”.
O título funciona como provocação e também como armadilha
O próprio nome da peça revela como o beijo ainda é encarado. Rohan recorda que, durante a divulgação, não foram raras as perguntas sobre a existência real do beijo em cena, muitas vezes acompanhadas por um sorriso malicioso.
“O nome é Essa Peça Tem Beijo Gay e não foram poucas as vezes em que fomos perguntados: ‘Mas tem beijo mesmo?’. Para mim, isso diz muito sobre a relevância desta peça. De certa forma, ou de todas elas, há um fetiche”.
O título oferece uma isca, mas conduz o espectador para uma discussão que ultrapassa qualquer curiosidade inicial: “Elas podem até entrar pensando em uma coisa, mas é fato que o espetáculo toca de uma maneira que não imaginavam”.
As rodas de conversa formadas na porta do teatro mostram como o espetáculo permanece ativo depois do encerramento. Rohan destaca especialmente a identificação de pessoas que não fazem parte da comunidade LGBTQIAPN+ e percebem que comportamentos aparentemente banais podem assumir outro peso para aqueles que vivem sob vigilância.
“É muito gostoso perceber as rodinhas de conversa pós-apresentação na porta do teatro. Mais surpreendente ainda é perceber pessoas que não são da comunidade também se identificando, colocando-se no lugar dos personagens e refletindo: ‘Que doideira pensar que uma coisa que eu faço naturalmente e sem perceber, para eles, toma outra proporção’”.
A peça termina, mas o conflito acompanha o público
Leandro também observa que uma das reações mais recorrentes consiste na tentativa de decidir qual personagem está certo. Para os criadores, o embate é justamente a confirmação de que a obra continua para além dos 70 minutos de apresentação: “Isso para nós é muito satisfatório, porque faz com que o espetáculo tenha uma sobrevida. É mais do que quem está certo ou errado. É sobre o que podemos pensar e debater a partir daquele conflito”.
A identificação do público já produziu relatos que deslocaram o espetáculo para fora da ficção. Leandro recorda homens que reconheceram em Pedro a necessidade de sustentar uma persona mais heteronormativa no ambiente profissional: “É bonito ver a forma como o público se identifica com os personagens ao ponto de querer conversar com a gente e relatar suas próprias histórias”.
Dois encontros o marcaram particularmente: o de uma mãe que afirmou compreender melhor os conflitos do filho gay depois de assistir à peça e o de um psicólogo heterossexual que percebeu, por meio da encenação, aspectos da humanidade de seus pacientes gays que antes não alcançava da mesma forma.
O diálogo com Nelson Rodrigues e os avanços que nunca estão garantidos
A dramaturgia estabelece relação direta com O Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues. O diálogo não serve apenas como referência teatral, mas permite comparar o sensacionalismo e a homofobia presentes na obra rodrigueana com os mecanismos contemporâneos de exposição.
Leandro reconhece que houve avanços desde o cenário retratado por Nelson, mas alerta para o caráter cíclico da História: “A cada vez que avançamos, surgem novos grupos lutando pelos retrocessos”.
A própria montagem mostrou aos criadores que a discussão ainda não poderia ser tratada como superada: “Não posso dizer que foi fácil levantar esse projeto. Passamos por uma série de questões desconfortáveis, censuras veladas e dificuldades que nunca tínhamos enfrentado com outros trabalhos. Entre conceber o projeto e estreá-lo, em alguns momentos, cheguei a me perguntar se esta não era uma discussão já datada, ultrapassada. A realidade provou que, infelizmente, não”.
Rohan considera ainda mais grave a crença de que o assunto já estaria resolvido. Para ele, essa percepção nasce muitas vezes de bolhas sociais incapazes de reconhecer a diversidade de experiências existentes dentro do próprio país: “Nossos avanços, infelizmente, são locais e não globais. O Brasil é imenso e de uma diversidade político-cultural muito vasta. Se formos analisar uma microamostra, mais próxima da gente, como a Zona Sul do Rio de Janeiro e a Baixada Fluminense, vamos encontrar realidades completamente diferentes”.
Dizer que o debate foi superado pode, portanto, apagar justamente aqueles que ainda precisam negociar diariamente o direito de existir: “Dizer que foi superado é mais grave porque revela uma ausência de empatia, destruindo a pluralidade de uma rede construída por esta comunidade”.
Um futuro em que a peça possa pertencer ao passado
Durante o trabalho com Dadado de Freitas, surgiu a concepção de uma quase distopia. O espetáculo se passa em um futuro não muito distante, ou talvez em uma realidade alternativa que permanece perigosamente próxima da nossa.
Quando questionado sobre a possibilidade de a peça ainda continuar atual daqui a vinte anos, Leandro evita formular uma resposta definitiva: “Talvez eu prefira não pensar nisso e seguir lutando, nos palcos e nas urnas, para que este texto possa, um dia, se tornar registro de um passado”.
Rohan também deseja que a experiência provoque uma percepção capaz de acompanhar o espectador até depois de sua volta para casa: “A percepção de como gestos, sejam eles pequenos ou grandes, que constituem nossa liberdade enquanto cidadãos e seres humanos não são uma realidade para todos. De como nossas ações e omissões produzem atropelamentos invisíveis a todo momento, com sofrimentos que acabam não sendo compartilhados ou divididos publicamente”.
Essa Peça Tem Beijo Gay utiliza um beijo para revelar tudo aquilo que o antecede: o cálculo, a vigilância, o medo, o desejo, o espaço privado, a rua, a família, o trabalho e a necessidade de escolher entre proteção e liberdade.
A obra é profundamente pessoal porque Leandro e Rohan escrevem e interpretam a partir de experiências que conhecem na própria pele. Mas é justamente essa intimidade que amplia seu alcance. Ao falar de um casal que precisa decidir até onde pode tornar o amor visível, os dois perguntam quantas pessoas ainda precisam esconder partes de si para atravessar o mundo em segurança.
Talvez a peça só deixe de ser urgente quando o beijo entre dois homens finalmente perder sua função de notícia, escândalo, fetiche ou ameaça. Quando puder existir sem explicação, sem vigilância e sem qualquer adjetivo. Apenas como beijo.
Jornalista, produtor audiovisual, crítico de TV, cinema e literatura e autor de seis livros. Apaixonado por novelas desde a infância, dedica-se há mais de uma década a analisar narrativas, personagens e atuações. É fundador do Pittaplay.

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