Jeniffer Dias e Jéssica Córes dividem personagem em Nas Profundezas do Amor

Jeniffer Dias e Jéssica Córes interpretam diferentes fases da protagonista de Nas Profundezas do Amor e trabalharam juntas para construir a continuidade entre Serena e Carmem. Foto: Beatriz Damy

Foto: Beatriz Damy

Serena e Carmem têm rostos diferentes, vozes diferentes e atravessam momentos emocionais quase opostos. Ainda assim, existe uma mesma mulher por trás das duas identidades. Foi nessa fronteira que Jeniffer Dias e Jéssica Córes encontraram um dos principais desafios de Nas Profundezas do Amor: dividir a trajetória de uma personagem sem transformar a continuidade em simples imitação.

Na sétima novelinha Original Globoplay, Jeniffer apresenta Serena, enquanto Jéssica assume a protagonista depois de uma transformação decisiva e passa a interpretá-la sob a identidade de Carmem Quevedo. Durante coletiva de imprensa acompanhada pelo Pittaplay, as atrizes explicaram que a construção exigiu encontrar pontos de conexão entre as duas fases sem apagar a individualidade de cada interpretação.

A amizade entre Jeniffer e Jéssica, construída antes mesmo da produção, ajudou no processo. As duas estudaram na mesma escola de teatro e já alimentavam o desejo de trabalhar juntas: “A gente sonhava com isso, em trabalhar juntas, e quando esse convite chegou fiquei muito feliz”, contou Jeniffer.

A preparação aconteceu em ritmo tão acelerado quanto as próprias gravações. Segundo a atriz, foram aproximadamente cinco dias, com encontros virtuais, telefonemas e muitas conversas entre as duas para definir quem era aquela mulher que passaria de uma intérprete para outra: “Foi um grande desafio compor o mesmo corpo”, resumiu Jeniffer.

Não bastava parecer a mesma personagem

A preocupação não estava em reproduzir mecanicamente gestos ou tentar eliminar as diferenças físicas entre as atrizes. Jéssica explicou que as duas conversaram sobre características capazes de estabelecer uma continuidade mais sutil.

Entraram nesse processo a maneira de movimentar as mãos, a postura, a elegância, a voz e outros comportamentos que poderiam atravessar a transformação: “Conheço o corpo da Jeniffer em cena. Sei algumas manias, algumas formas”, explicou Jéssica durante a coletiva.

A voz apresentou uma dificuldade particular porque as duas possuem timbres diferentes. Em vez de buscar uma reprodução exata, elas estabeleceram elementos em comum e também assumiram aquilo que necessariamente precisaria mudar: “A altura é diferente, a gente tem os olhos e o nariz um pouco diferentes, mas não foi a nossa preocupação. A preocupação mesmo foi entregar esse único corpo para contar essa história”, afirmou.

Essa escolha é importante porque a transformação física acompanha também uma ruptura emocional. Serena e Carmem não poderiam ser iguais simplesmente porque a mulher que retorna já não é aquela apresentada nos primeiros capítulos.

Serena é doce. Carmem volta para fazer justiça

Nas Profundezas do Amor acompanha o romance entre Serena (Jeniffer Dias) e Romualdo (Joaquim Lopes), herdeiros de duas famílias rivais da mineração.

A protagonista tem sua vida destruída depois de uma conspiração articulada por Zara (Thaila Ayala) com a ajuda da meia-irmã, Mila (Tamie Panet). Serena é injustamente acusada de um atentado contra Madalena (Ana Beatriz Nogueira), mãe de Romualdo, e posteriormente é dada como morta após um incêndio.

Anos depois, ela ressurge com uma nova face e sob a identidade de Carmem Quevedo (Jéssica Córes). A mulher que retorna, porém, carrega as consequências de tudo o que viveu.

Jeniffer define a Serena dos primeiros capítulos pela doçura. Já Jéssica precisava partir desse passado para encontrar uma mulher mais desconfiada, cautelosa e determinada.

Cristiano Marques, diretor da produção, conta que a equipe decidiu assumir dramaticamente essa diferença. Na maior parte da história, Serena e Carmem foram trabalhadas praticamente como duas personagens: “Carmem é outra personagem mesmo, porque ela volta mais dura da passagem de tempo. Ela tem essa missão de justiça”, explicou.

A transição entre Jeniffer Dias e Jéssica Córes

Se Carmem precisava encontrar uma identidade própria, havia um momento em que a mudança não poderia ser abrupta. Cristiano explica que, na primeira aparição da personagem depois da transformação, Jéssica incorporou conscientemente características da interpretação de Jeniffer.

A voz e alguns gestos ajudaram a construir essa passagem: “Jéssica trouxe um pouco da voz, um pouco dos jeitos da Jeniffer, para ser uma transição suave”, contou o diretor.

Depois desse primeiro momento, a atriz ganhou liberdade para se afastar gradualmente da Serena apresentada no início da história e estabelecer Carmem como a mulher moldada pela dor e pela necessidade de justiça.

A estratégia se inverte novamente próximo ao encerramento da trajetória. Sem revelar detalhes da trama, Cristiano antecipou que determinadas características de Serena voltam a aparecer em Carmem.

Segundo ele, Jéssica se permite recuperar “uma doçura maior”, aproximando novamente a personagem daquela mulher romântica construída por Jeniffer.

Há, portanto, uma espécie de percurso circular na atuação: Jéssica recebe Serena das mãos de Jeniffer, distancia-se dela para construir Carmem e, aos poucos, permite que determinadas características daquela primeira identidade encontrem novamente espaço.

Uma passagem de tempo medida pela dor

A transformação também interferiu na maneira como Cristiano Marques conduziu Joaquim Lopes. Romualdo permanece interpretado pelo mesmo ator, mas precisa atravessar a passagem de tempo que separa as duas fases da protagonista.

Para o diretor, o intervalo cronológico poderia até não ser tão extenso numericamente, mas precisava parecer muito maior emocionalmente: “A gente tratou como uma passagem de tempo maior do que ela é numericamente para compor mesmo personagens diferentes”, explicou.

Joaquim define essa fase intermediária como “o tempo da dor”. É o período necessário para que aquilo que existia entre os personagens fique suspenso até que alguma possibilidade de resgate possa surgir.

Em uma produção marcada pela velocidade, a passagem do tempo precisou, paradoxalmente, ser percebida menos pelos anos transcorridos e mais pelas marcas deixadas nos personagens.

Produzida pelos Estúdios Globo, com roteiro de Paulo Ferreira e direção de Cristiano Marques, Nas Profundezas do Amor estreia em 25 de agosto com 50 capítulos de até dois minutos.

Para Jeniffer e Jéssica, a duração reduzida acrescentou outra dificuldade ao desafio de compartilhar uma personagem. Não havia dezenas de capítulos para realizar gradualmente a transformação. Era necessário fazer o público reconhecer Serena em Carmem e, simultaneamente, perceber que aquela mulher já não poderia ser exatamente a mesma.

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