Foto: Luciana Melo
Um carregamento de maconha lançado ao mar, milhares de latas chegando às praias brasileiras e uma história tão improvável que acabou entrando para o imaginário do país. O episódio conhecido como “Verão da Lata”, ocorrido em 1987, chega aos cinemas como uma comédia policial estrelada por Samantha Schmütz e Babu Santana.
Verão da Lata teve cartaz e trailer oficiais divulgados pela H2O Films e estreia nacionalmente em 19 de novembro. Antes, o longa dirigido por Santiago Dellape terá sua primeira exibição no 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, no sábado (19 de setembro), como filme de encerramento do evento, fora da Mostra Competitiva. A produção também integra a Première Brasil do 28º Festival do Rio.
Com roteiro de Davi Mattos, Renato Fagundes e Santiago Dellape, o filme usa o episódio real como ponto de partida para construir uma investigação cercada pelo clima de liberdade, irreverência e contradições do Brasil do final dos anos 1980.
Samantha Schmütz e Babu Santana investigam o “ouro verde”
Na trama, Samantha Schmütz interpreta Sandra, policial federal que precisa trabalhar ao lado de Brasa, vivido por Babu Santana. Com personalidades opostas, os dois se veem diante de um caso que foge completamente da rotina quando milhares de latas recheadas de maconha começam a aparecer nas praias.
A chegada da carga desencadeia uma espécie de “corrida do ouro verde”. Enquanto Sandra e Brasa procuram descobrir a origem das latas e impedir que a situação saia ainda mais do controle, encontram pelo caminho traficantes, policiais corruptos, jornalistas, malandros e jovens que enxergam no acontecimento uma oportunidade de mudar de vida.
As primeiras imagens divulgadas do longa apresentam essa mistura entre investigação policial e comédia, tendo o Rio de Janeiro dos anos 1980 como cenário para a confusão provocada pela carga misteriosa.
Alane Dias estreia como atriz no cinema
Verão da Lata também marca a estreia de Alane Dias como atriz no cinema. Ela interpreta Marina, jovem caiçara que está entre as primeiras pessoas a encontrar as latas ao lado do irmão Chico, personagem de Igor Jansen.
Rafael Saraiva vive Michael Green, cozinheiro do navio envolvido no acontecimento que dá início à história. O elenco reúne ainda Humberto Martins como o delegado Dantas, Leandro Firmino como o agente Mattos, Polly Marinho, Gabi Correa, Ademara, Paulinho Serra, Sérgio Loroza, Cristina Pereira e André Deca.
A ambientação do período também passa pela música. A trilha reúne nomes como Bezerra da Silva, Planet Hemp, Fernanda Abreu, Marina Lima, Di Melo, Tony Tornado e Gilberto Gil e Bob Marley.
A história real por trás de Verão da Lata
Por mais inusitada que pareça a premissa, o ponto de partida de Verão da Lata aconteceu no Brasil. Em setembro de 1987, o navio Solana Star transportava 22 toneladas de maconha divididas em mais de 14 mil latas. Após uma operação envolvendo Polícia Federal e Marinha nas proximidades de Angra dos Reis, a tripulação lançou a carga ao mar.
As correntes fizeram parte das latas chegar às praias do Sudeste. A maconha de origem tailandesa se espalhou e o episódio ganhou rapidamente o apelido de “Verão da Lata”, tornando-se um fenômeno que ultrapassou o caso policial e encontrou espaço na cultura brasileira.
A história inspirou referências no carnaval e na poesia e chegou à música. Entre os exemplos está “Veneno da Lata”, de Fernanda Abreu, lançada anos depois e diretamente associada ao episódio.
Agora, quase quatro décadas depois daquele verão, o acontecimento ganha uma versão livre para o cinema, misturando fatos históricos e personagens ficcionais para revisitar um episódio que ajudou a construir uma das histórias mais curiosas da cultura brasileira recente.
Produzido por Gancho de Nuvem, Na Paralela Filmes, Nada Consta e A Fábrica, em coprodução com Warner Bros. Discovery e H2O Produções, Verão da Lata chega aos cinemas em 19 de novembro, com distribuição da H2O Films.
Jornalista, produtor audiovisual, crítico de TV, cinema e literatura e autor de seis livros. Apaixonado por novelas desde a infância, dedica-se há mais de uma década a analisar narrativas, personagens e atuações. É fundador do Pittaplay.
