Foto: João Hazin
Atriz vive Rosa na novela das seis e reencontra Pedro Fasanaro, com quem dividiu o primeiro teste para a televisão nove anos atrás
A estreia de Isadora Gondim na TV Globo carrega história que começou muito antes de A Nobreza do Amor. Aos 19 anos, a atriz fez seu primeiro teste para a emissora, para Onde Nascem os Fortes. Nove anos depois, a mesma produtora de elenco que havia conhecido seu trabalho voltou a procurá-la. Dessa vez, porém, o convite era para viver Rosa, personagem relevante na atual novela das seis.
A oportunidade chegou em momento especialmente simbólico. Isadora havia retornado a sua cidade, Natal (RN), e começava a considerar outros caminhos profissionais diante do desgaste de tantos anos tentando construir carreira como atriz. Ela chegou a planejar um concurso público, mas o convite para a novela mudou os rumos daquele momento: “Receber essa notícia naquele momento teve significado que ultrapassou conseguir um trabalho. Foi como a vida me dizendo: ‘continua que isso é pra você sim’”, conta a atriz.
A emoção foi compartilhada imediatamente com a família, que acompanhava de perto sua trajetória . Segundo ela, havia muito tempo que todos esperavam pela realização do sonho de vê-la chegar a um trabalho na televisão.
Uma personagem potiguar
Em A Nobreza do Amor, Rosa chega a Barro Preto com a família depois de atravessar série de perdas. Filha de Nilo (Daniel Porpino) e irmã de Severino (Pedro Fasanaro), a jovem perdeu a mãe e três irmãos pequenos e precisa assumir responsabilidades muito maiores do que sua idade.
Apesar da história marcada pelo sofrimento, Isadora destaca que Rosa está longe de ser definida apenas pelas dificuldades que enfrentou. Tímida, inocente, curiosa, gentil e empática, a personagem também demonstra interesse pelas pessoas ao seu redor e vontade de aprender e construir uma nova vida.
Para desenvolver essas diferentes camadas, a atriz buscou referências na técnica de atuação de Stella Adler e passou a trabalhar não apenas com aquilo que está explícito no roteiro, mas também com pensamentos e objetivos que podem existir por trás das falas e relações da personagem: “Rosa tem passado marcado por sofrimento junto com a família, mas tem personalidade muito linda. Ainda é meio criança, um pouco tímida, inocente, mas justa, empática, gentil, curiosa”, explica.
A identificação com a personagem também passa pelo sotaque. Potiguar como Rosa, Isadora encontrou na própria origem um elemento de confiança para a construção da personagem: “Estou amando fazer personagem potiguar que está crescendo na terra que eu também cresci”, afirma.
Da costura à renda de bilro
A preparação para Rosa também levou Isadora a aprender habilidades que fazem parte da trajetória da personagem. Antes mesmo de começar as gravações, a atriz procurou a avó de uma amiga para aprender os movimentos básicos da costura.
No set, continuou o aprendizado. Entre as experiências esteve um laboratório de renda de bilro, técnica artesanal que utiliza hastes de madeira para trabalhar os fios. Os alfinetes utilizados na atividade eram feitos de espinhos de mandacaru.
Isadora também aprendeu a utilizar uma máquina de costura de verdade durante as gravações, com orientação do preparador de elenco: “Antes eu só sabia passar a linha na agulha. A melhor coisa que existe para um ator é fazer uma personagem que te permite aprender uma coisa nova”, afirma.

Foto: arquivo pessoal
Uma família que nasceu também nos bastidores
Os primeiros parceiros de cena de Isadora na televisão foram Pedro Fasanaro e Daniel Porpino, que interpretam seu irmão e seu pai na novela. A proximidade ganhou ainda mais significado porque Pedro e Isadora se conhecem há mais de 10 anos, desde a universidade de Teatro.
Os dois também estavam juntos na fila daquele primeiro teste para televisão, nove anos antes. Agora, além de dividirem o elenco de A Nobreza do Amor, interpretam irmãos: “De certa forma já existia uma irmandade entre a gente. Assim que a novela começou pra nós, saber que eu e Pedro estávamos juntos nessa acalmou meu coração e me deu mais confiança para entrar com tudo”, revela.
A parceria com Daniel e Pedro também ultrapassou as cenas. Os três chegaram à novela pelo mesmo processo de seleção, vieram de cidades próximas e criaram relação própria para construir a família fictícia. Até um grupo de WhatsApp foi criado para que pudessem conversar sobre as personagens, seus passados e os detalhes das cenas.
Ana Cecília Costa, que interpreta Teresa e contracena frequentemente com Rosa no ateliê Flor de Seda, também se tornou referência importante para a atriz: “Desde o começo tem sido acolhedora e extremamente generosa comigo, em cena e fora”, conta Isadora.
Estreia com a novela já em andamento
A entrada de Isadora aconteceu depois da metade da novela, quando mais de 100 capítulos já haviam sido gravados. Para uma atriz em sua primeira experiência na televisão, o desafio era chegar em ambiente no qual boa parte do elenco já conhecia profundamente suas personagens e a dinâmica da produção.
A recepção, porém, ajudou a tornar o processo mais natural. Isadora conta que chegou “com a energia lá em cima”, enquanto os colegas já estavam mais concentrados na reta final da história.
Para entender melhor aquele universo, a atriz decidiu assistir à novela desde o primeiro capítulo assim que assinou o contrato. A estratégia também serviu para compreender o tom da dramaturgia e a dinâmica que já havia sido estabelecida: “Desde o primeiro dia estou aberta para aprender com todos que estão ao meu redor. Sou curiosa sobre a experiência e referências dos outros artistas envolvidos”, explica.
A chegada também significou contracenar logo de início com personagens centrais da história. Isadora destaca especialmente Duda Santos, protagonista da novela, com quem fez sua primeira cena mais densa: “Ela me ajudou a entrar com presença no nosso diálogo e o resultado ficou muito lindo. Duda é uma grande atriz”, afirma.
Ronald Sotto também é citado pela atriz como um parceiro generoso e cheio de energia nas cenas.
Nove anos depois
A estreia na Globo representa, para Isadora, mais do que a conquista de um trabalho. A atriz chegou ao Rio de Janeiro em 2024 com o objetivo de ampliar sua trajetória no audiovisual, mas conta que passou a sentir a pressão de precisar de grande oportunidade para conseguir estabilidade financeira.
O período de espera trouxe dúvidas, mas também reforçou a importância de tudo o que havia construído antes da televisão: “O teatro me preparou para tudo que estou vivendo agora”, afirma.
Formada em Licenciatura em Teatro pela UFRN, Isadora direcionou parte de sua formação para o audiovisual e estudou Acting for Film & Television na Vancouver Film School, no Canadá. Também criou, escreveu e dirigiu o monólogo autoral Submergida.
Para ela, a experiência teatral e os estudos anteriores deram a segurança necessária para enfrentar o ritmo de novela, mas existe um aprendizado que só acontece no próprio set: “No fim das contas, você só aprende a fazer novela, fazendo. É uma produção enorme, um ritmo meio industrial, rápido”, explica.
Agora, depois de chegar à televisão interpretando personagem tão próxima de sua origem, Isadora já pensa nos próximos desafios. E eles estão bem distantes de Rosa.
A atriz revela vontade de interpretar personagens excêntricos, exagerados e completamente diferentes dela. Entre os sonhos estão uma vilã, uma mulher vivendo um sofrimento profundo ou alguém que precise desempenhar uma atividade muito distante de sua própria realidade.
A estreia em A Nobreza do Amor, portanto, representa o início de nova etapa para uma atriz que passou anos se preparando para estar exatamente onde está agora.

Jornalista apaixonada por boas histórias. Entre filmes, séries, livros e espetáculos, está sempre em busca de narrativas que mereçam ser compartilhadas.
