Poucos personagens ultrapassaram tanto a própria novela quanto Lorena e Juquinha em Três Graças. Interpretadas por Alanis Guillen e Gabriela Medvedovski, as personagens rapidamente deixaram de ser apenas mais um casal da trama para se tornarem um verdadeiro fenômeno de audiência, redes sociais e representatividade.
Apelidadas carinhosamente pelo público de “Loquinha”, as duas ganharam torcida apaixonada, dominaram a internet e chegaram até mesmo a conquistar uma novelinha própria em formato vertical na Globo. Mas o que muita gente talvez não saiba é que a origem do casal nasceu de uma provocação dentro da própria sala de roteiro.
tudo começou durante uma reunião entre os roteiristas

Em entrevista exclusiva ao Pittaplay, Aguinaldo Silva revelou como surgiu a ideia que revolucionou a trajetória das personagens dentro da novela. Segundo o autor, tudo começou durante uma reunião entre os roteiristas. Inicialmente, a ideia era que Ferette, um homem profundamente homofóbico, entrasse em crise ao descobrir que o filho estava apaixonado por uma mulher trans. Mas a equipe decidiu ir além.
“Daí pensamos: ‘e se a gente dobrar a aposta?’”. Foi exatamente dessa provocação que nasceu Loquinha.
“O casal fez tanto sucesso que ganhou uma história própria em novela vertical da Globo”, contou Aguinaldo. O impacto de Loquinha fez o próprio autor refletir sobre como a representatividade LGBTQIAPN+ evoluiu na teledramaturgia brasileira ao longo das últimas décadas: “Um passo de cada vez e com muita paciência.”
Aguinaldo relembrou que o primeiro beijo romântico entre personagens do mesmo sexo em uma novela só aconteceu em 2014, em Amor à Vida, com Félix e Niko, interpretados respectivamente por Mateus Solano e Thiago Fragoso. Hoje, segundo ele, o cenário já é outro: “Temos em Três Graças o casal Loquinha, formado por duas mulheres, a conquistar corações por todo o mundo”.
Novelinha vertical

Foto: Beatriz Damy/Globo
O sucesso das personagens foi tão grande que extrapolou a novela principal e se transformou em um produto próprio dentro do universo da dramaturgia da Globo. Inclusive, em entrevista ao Pittaplay, a diretora da novelinha vertical, Naína de Paula, também comentou os bastidores da produção e a importância do casal para a teledramaturgia atual.
A entrevista completa com Aguinaldo Silva, falando sobre Três Graças, bastidores da novela, Gerluce, Arminda, Nazaré Tedesco, remakes e novos projetos, já está disponível no Pittaplay.
Quando a emoção vence o medo, a representatividade deixa de ser discurso e vira vínculo

O que explica o impacto de “Loquinha” é que Lorena e Juquinha nunca foram tratadas como símbolo antes de serem pessoas. Alanis Guillen e Gabriela Medvedovski constroem o casal a partir da intimidade, do detalhe, da convivência cotidiana e esse foi o ouro do roteiro, tratar o amor das duas como algo natural, do dia a dia, com situações rotineiras, como deve e precisa ser.
Nada entre o casal é performado para só representar alguma causa; tudo existe primeiro como afeto. A direção entende isso e aproxima a câmera dos pequenos gestos, permitindo que um olhar, uma mão segurando outra ou um jantar em família tenham peso dramático real. A novela não pede autorização para que elas existam. Apenas acompanha suas vidas. E isso rompe um padrão histórico da teledramaturgia, que durante décadas limitou casais sáficos ao conflito, à interrupção ou ao sofrimento como destino inevitável.
Muito disso passa pela coragem de quem escreve. Pela decisão de construir personagens a partir do sentimento e não do medo da reação pública. Aguinaldo Silva, Zé Dassilva e Virgílio Silva entendem isso quando decidiram dobrar dobrar a aposta e criar o casal. Porque, no fim, o público não se conecta primeiro pela pauta, mas pela emoção e Lorena e Juquinha conquistaram justamente esse lugar: o de casal que o público torce, protege e acompanha porque existe verdade entre elas.
Por isso o fenômeno ultrapassou a novela principal e encontrado vida própria no formato vertical. “Loquinha” não funciona apenas como spin-off de Três Graças, mas como sinal claro de transformação da linguagem televisiva. Sob direção de Naína de Paula, a novelinha entende que não basta colocar a novela no celular; é preciso reinventar a novela a partir da lógica do celular. Os enquadramentos se aproximam dos rostos, os cortes ganham ritmo de rede social e a narrativa abandona qualquer gordura dramática. Tudo é pensado para proximidade e retenção emocional. O formato vertical deixa de ser limitação técnica e vira identidade estética.
O maior feito de “Loquinha” foi provar que a novela brasileira ainda consegue se reinventar sem abandonar sua essência. Porque, no fim, a revolução não acontece apenas pela representatividade, embora ela seja histórica, mas pela capacidade de transformar emoção em permanência cultural. Lorena e Juquinha deixaram de ser núcleo coadjuvante há muito tempo. Hoje, elas ocupam um espaço raro: o de personagens que ajudam a empurrar a teledramaturgia para frente e são espelho de muitos casais reais.

Loquinha, foi o melhor casal de 3 Graças, pela sensibilidade das meninas, entrega total nos papéis, deram show de interpretação! Além de serem lindas! O melhor núcleo foi o da delegacia dos apaixonados! Grazi e Benício arrancaram boas risadas!