Vivemos a era dos retornos. Filmes voltam, séries voltam, novelas voltam e franquias consideradas encerradas ganham novas continuações. Nos últimos anos vimos isso acontecer com O Diabo Veste Prada, Harry Potter, Anaconda e até com novelas como Pantanal, Renascer, Elas por Elas e Vale Tudo. Alguns desses passageiros conseguem atravessar a viagem e encontrar novos públicos. Outros descobrem tarde demais que a nostalgia, sozinha, não sustenta uma obra.
Todo Mundo em Pânico 6 chega aos cinemas carregando justamente esse desafio. A franquia foi um dos maiores fenômenos do humor e do terror-paródia dos anos 2000. Os dois primeiros filmes se transformaram em clássicos da cultura pop. Já as continuações seguintes mostraram sinais claros de desgaste. Por isso, o retorno de Anna Faris, Regina Hall e dos irmãos Wayans desperta curiosidade legítima. Existe afeto envolvido, memória afetiva e uma geração inteira que cresceu vendo Cindy e Brenda sobreviverem aos absurdos mais improváveis do cinema.
E o novo filme entende isso perfeitamente. A trama acompanha novamente o quarteto tentando escapar do Ghostface enquanto a narrativa estabelece uma nova missão: enfrentar a cultura do cancelamento. A partir daí, o roteiro faz aquilo que a franquia sempre soube fazer. Ataca tudo e todos ao mesmo tempo.

O longa transforma redes sociais, influenciadores, inteligência artificial, Covid-19, Kanye West, Jeffrey Epstein, a invasão do Capitólio e diversos outros temas em piadas. Algumas funcionam muito bem. Outras parecem depender exclusivamente do choque para arrancar risadas. Mas existe coerência nisso. Todo Mundo em Pânico nunca foi uma franquia preocupada com sutileza.
O grande mérito está em perceber que os irmãos Wayans não perderam a capacidade de parodiar o cinema contemporâneo. As referências aos novos filmes da franquia Pânico funcionam especialmente bem porque respeitam a lógica interna da própria saga. Tudo parece encaixado dentro do universo que a série construiu ao longo dos anos.
Ao mesmo tempo, o filme evidencia um problema inevitável: esse tipo de humor pertence aos anos 2000. E não há nada de errado nisso. O espectador que entrar na sala esperando comentários sofisticados sobre comportamento contemporâneo provavelmente sairá frustrado. O objetivo aqui é outro. São esquetes rápidas, absurdas, muitas vezes constrangedoras e deliberadamente exageradas.
É bem por isso que a experiência funciona melhor quando o público aceita a proposta. Não existe espaço para o politicamente correto dentro da lógica da franquia. O humor nasce do exagero, do desconforto e da completa falta de limites.
No fim, fica a sensação de que o sucesso de bilheteria está diretamente ligado à nostalgia. O público vai ao cinema para reencontrar personagens queridos e reviver uma forma de humor que praticamente desapareceu. Raramente existe vontade de revisitar o filme depois. Mas, durante aquela sessão, a diversão acontece. Não a todo momento, mas acontece.
Todo Mundo em Pânico 6 não reinventa a franquia. Também não precisava. Seu objetivo é lembrar por que ela foi tão popular. E, gostando ou não do resultado, consegue cumprir essa missão.

Foto: Divulgação
Quais filmes são parodiados em Todo Mundo em Pânico 6?
A nova produção faz referências diretas ou indiretas a dezenas de obras do cinema e da televisão. Entre elas estão Pânico, Halloween, Corra!, Ma, Wandinha, Sorria, A Substância, Pecadores, Guerreiras do K-Pop, O Massacre da Serra Elétrica, Sexta-Feira 13, Candyman, As Branquelas, O Segredo de Brokeback Mountain, John Wick, Terrifier, M3gan, Longlegs, Wicked, Heart Eyes, A Hora do Mal e a cinebiografia Michael.
Todo Mundo em Pânico 6 tem cenas pós-créditos?
Sim. O longa possui duas cenas pós-créditos. Quem decidir permanecer na sala até o final encontrará duas sequências extras que funcionam como extensões das piadas apresentadas ao longo da narrativa.
