Vinicius Teixeira emenda novo trabalho no teatro com montagem de ‘O Beijo no Asfalto’: “Fala sobre fake news, cancelamento e homofobia”

Vinicius Teixeira fala ao Pittaplay sobre sua participação na nova montagem de O Beijo no Asfalto, comenta a atualidade do texto de Nelson Rodrigues e revela os desafios de emendar mais um trabalho no teatro.

Pouco tempo depois de encerrar sua participação em Três Graças e na peça Selva: Solidão, Vinicius Teixeira já mergulhou em novo desafio. O ator integra o elenco da nova montagem de O Beijo no Asfalto, clássico de Nelson Rodrigues que estreia no próximo dia 16 de julho, no Teatro Glaucio Gill, em Copacabana, no Rio de Janeiro. Ao lado de nomes como Eduardo Sterblitch, Luísa Arraes, Edson Celulari, Ernani Moraes e André Mattos, ele passa a fazer parte de uma das obras mais importantes da dramaturgia brasileira e acredita que o texto permanece mais atual do que nunca.

Para Vinicius, um dos maiores méritos da peça está justamente na capacidade de dialogar com questões que continuam presentes na sociedade, mesmo mais de seis décadas após sua criação: “Está sendo um processo maravilhoso. Montar Nelson é coisa que todo ator quer passar na carreira. E estamos montando especificamente O Beijo no Asfalto, que é uma peça super atual, apesar de ter sido escrita há tempos. Ela fala sobre fake news, cancelamento, sobre notícias que tomam uma proporção gigantesca antes mesmo de serem apuradas”, afirma ao Pittaplay.

Segundo o ator, o texto também provoca reflexões sobre a influência da imprensa na construção da opinião pública: “Tem um pouco dessa máfia jornalística de escolher o que vai ser falado e como vai ser falado, quais opiniões querem construir e como querem influenciar as pessoas. São assuntos muito modernos.”

Além disso, Vinicius destaca que a montagem também coloca em discussão a homofobia, tema central da obra de Nelson Rodrigues: “A peça mostra como um caso simples, que é um beijo entre dois homens, independentemente da intenção que esse beijo tenha tido, consegue gerar tanto ódio. Infelizmente isso ainda é muito presente na nossa vida.”

Na história, Eduardo Sterblitch interpreta Arandir, bancário que atende ao último pedido de um homem atropelado e lhe dá um beijo antes de sua morte. O gesto desencadeia uma onda de julgamentos, preconceitos e manipulação da opinião pública. Vinicius dá vida a Werneck, colega de trabalho de Arandir. Mais do que um personagem, ele representa uma parcela da sociedade movida pelo preconceito: “O Werneck representa todo esse ódio homofóbico e machista. O Arandir passa um dia de trabalho de terror porque ele fica inflamado ao descobrir que um homem que trabalha com ele beijou outro homem na rua.”

Embora interprete um personagem marcado por discursos preconceituosos, o ator destaca que a construção acontece justamente para provocar reflexão: “Os personagens têm opiniões com as quais a gente não concorda. Como equipe, elenco e atores, levamos isso para um lugar quase grotesco. Esse ódio aparece exagerado justamente para incomodar. É interessante poder causar esse incômodo para que as pessoas repensem esse tipo de atitude. Está sendo bem interessante.”

A nova montagem reúne um elenco experiente, algo que Vinicius faz questão de destacar como parte importante do processo: “É um elenco incrível, estou ao lado de pessoas maravilhosas, observando e aprendendo muito com essa galera.”

Para Vinicius, viver diferentes projetos em sequência faz parte de um processo que já aprendeu a aproveitar ao longo da carreira: “Terminei a novela, emendei uma peça que era um monólogo e agora estou emendando outro espetáculo. Tenho trajetória que me deu ferramentas para lidar com essas mudanças de forma muito natural. Eu gosto desse movimento de estar trabalhando.”

Mais do que subir ao palco, ele afirma que encontra prazer em todas as etapas da criação: “Gosto da sala de ensaio, gosto de pesquisar, gosto de chegar em casa para estudar. Tudo isso vai me dando segurança para trocar de um trabalho para outro. São desafios, claro, mas desafios muito gostosos de viver.”

Com estreia marcada para 16 de julho, O Beijo no Asfalto reafirma a força de um dos maiores clássicos de Nelson Rodrigues ao colocar em cena discussões que permanecem atuais. Para Vinicius Teixeira, participar dessa montagem representa mais um passo em sequência intensa de trabalhos e a oportunidade de contribuir para um espetáculo que, décadas depois de ser escrito, continua convidando o público a refletir sobre preconceito, manipulação e intolerância.

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