Gabriel Stauffer estreia como protagonista em Love Kills: “Não é sempre que um filme desses aparece na nossa frente”

Gabriel Stauffer protagoniza Love Kills, longa brasileiro que mistura vampiros, romance e fantasia urbana. Foto: Pascal Haas.

Gabriel Stauffer estreia como protagonista no cinema com Love Kills, longa brasileiro que chega às telonas na quinta-feira (21 de maio) apostando em combinação ainda pouco explorada pelo audiovisual nacional: vampiros, romance, suspense e fantasia urbana. Inspirado na HQ de Danilo Beyruth e dirigido por Luiza Shelling Tubaldini, o filme acompanha um homem que se vê seduzido por universo sobrenatural enquanto mergulha em relação marcada pelo desejo, pela morte e pelo desconhecido.

Em entrevista à coluna Cena Aberta, do Pittaplay, Gabriel falou sobre o desafio de sustentar seu primeiro protagonista em um longa-metragem, o processo de construção emocional do personagem e a experiência de atuar em um filme de gênero no Brasil, mercado que, segundo ele, ainda está aprendendo a confiar nas próprias narrativas fantásticas.

Um filme de vampiros feito no Brasil

“Um filme de vampiros levado a sério”, define Gabriel Stauffer sobre Love Kills. Foto: Pascal Haas.
“Um filme de vampiros levado a sério”, define Gabriel Stauffer sobre Love Kills. Foto: Pascal Haas.

“Não é sempre que um filme desses aparece na nossa frente. Foi um deleite, um presente, um brinquedão muito divertido”, resume o ator.

Gabriel conta que percebeu logo no primeiro teste que Love Kills caminhava numa direção diferente do que normalmente encontra no audiovisual brasileiro: “Na maioria das vezes aparecem testes para fazer um médico, um surfista, advogado… Mas para um cara, ex usuário de drogas, que se apaixona por uma vampira era a primeira vez. Lembro que a resposta do teste demorou pra sair e cheguei a mandar mensagem pra diretora, falando que queria muito fazer”, relembra.

A conexão com o projeto também veio pela origem da história: “O filme é inspirado numa HQ brasileira, do Danilo Beiruth, fantástica. E ali já fiquei sabendo da história dessa vampira brasileira, na nossa Gotham City: São Paulo. Fiquei muito animado”.

Entre referências clássicas e um olhar brasileiro

Inspirado na HQ de Danilo Beyruth, Love Kills aposta em uma estética fantástica ainda pouco explorada pelo cinema nacional. Foto: Julia Lego
Inspirado na HQ de Danilo Beyruth, Love Kills aposta em uma estética fantástica ainda pouco explorada pelo cinema nacional. Foto: Julia Lego.

Ao falar sobre o universo dos vampiros, Gabriel evita negar as referências clássicas do gênero. Pelo contrário: admite que elas fizeram parte da construção, mas atravessadas por um olhar brasileiro: “Durante a preparação para o longa assisti muitos filmes, entrei de cabeça nesse mundo fantástico dos vampiros. Acho que certos arquétipos estão muito presentes em muitos desses filmes. O explorador, o amante, o governante, o inocente… Em Love Kills todos orbitam em torno da heroína”.

Segundo ele, o diferencial está justamente na mistura entre referências internacionais e identidade local: “Bebemos em várias fontes para fazer o filme e misturamos com nosso molho brasileiro”. 

No longa, Gabriel interpreta Marcos, personagem que funciona como porta de entrada do público naquele universo fantástico: “Marcos é o humano que vai descortinando esse novo mundo. Ao invés de lutar contra eles, se vê encantado, querendo estar junto. A paixão pela Helena e a vontade de conhecer o que está oculto movem o Marcos na trama”.

Embora seja seu primeiro protagonista no cinema, Gabriel diz que nunca diferenciou personagens pelo tamanho do papel: “Em todos os personagens que faço procuro me entregar ao máximo. Seja ele grande ou pequeno. Contar histórias, construir um personagem, dar voz a um texto, vida às palavras; isso me move”.

Mas admite que existe algo especialmente prazeroso em conduzir uma narrativa inteira: “Fazer protagonista é tão gostoso porque você tem mais tempo, mais chance para jogar com seus parceiros de cena, mostrar outras nuances daquela pessoa. É uma honra e um prazer poder levar uma história assim, de cabo a rabo”.

“Haja fé cênica”: os bastidores de um filme fantástico

Em entrevista ao Pittaplay, Gabriel Stauffer falou sobre o desafio de sustentar seu primeiro protagonista no cinema. Foto: Pascal Haas.
Em entrevista ao Pittaplay, Gabriel Stauffer falou sobre o desafio de sustentar seu primeiro protagonista no cinema. Foto: Pascal Haas.

Quando o assunto entra no desafio físico e emocional de um filme de vampiro, Gabriel ri antes de responder. Porque, segundo ele, acreditar naquele universo antes da pós-produção talvez tenha sido a parte mais difícil: “Quando vemos o resultado do filme, com as luzes, música, efeitos sonoros, fica até fácil de acreditar. Mas nossos ensaios eram numa salinha de luz branca, 10 horas da manhã, em São Paulo, um monte de ator rosnando um pro outro, mostrando os dentes. Haja fé cênica!”, brinca.

Depois, complementa: “Mesmo sendo desafiador, o processo foi uma delícia, porque todo mundo ali estava acreditando de verdade. E isso é que faz o público acreditar também. Um filme de vampiros levado a sério”.

Romance, morte e desejo no centro da narrativa

Gabriel também acredita que Love Kills encontra diferencial justamente na maneira como atravessa romance e fantasia: “Não é só luta. O público não vai ver aqui estacas de madeira, cabeças de alho e água benta. Vão encontrar vampiros que querem sentir novamente, que querem voltar a ser humanos. E um humano que deseja encarar e vencer a morte”.

O futuro do cinema fantástico brasileiro

Gabriel Stauffer interpreta Marcos, personagem que mergulha em um universo sobrenatural movido pelo desejo e pelo desconhecido. Foto: Julia Lego.
Gabriel Stauffer interpreta Marcos, personagem que mergulha em um universo sobrenatural movido pelo desejo e pelo desconhecido. Foto: Julia Lego.

Ao olhar para o atual momento do cinema nacional, ele vê espaço para expansão do gênero fantástico no Brasil: “Estamos pouco acostumados a assistir histórias assim feitas por nós. Mas, ao mesmo tempo, consumimos muitas histórias de fantasia feitas lá fora”.

Para Gabriel, existe retomada importante acontecendo: “Acho que estamos começando a entender que somos capazes de contar qualquer tipo de história no nosso cinema. Estamos vivendo um bom momento nesse sentido. De retomada da confiança no cinema, de convicção do nosso olhar, de muita visibilidade e reconhecimento externo”.

No meio do turbilhão de sensações envolvendo o lançamento do filme, Gabriel também carrega projeto profundamente pessoal: uma obra autoral inspirada na própria história familiar, atravessada pela relação com religião, identidade e transformação.

Ele comenta brevemente sobre o assunto refletindo que “o artista é aquele ser humano que vive em voz alta. Usa seus traumas, suas inquietações, seus medos e as transforma em arte”.

E conclui com uma frase que parece resumir não apenas seu processo criativo, mas também o momento que vive na carreira: “Viver da arte é um eterno cair em si”.

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