Já está nos streamings Globoplay e Prime Vídeo o novo romance do Telecine: Deixa Acontecer. Baseado na música homônima do Grupo Revelação, o longa traz João Vitor Silva como João Mendes, famoso cantor de pagode que precisa limpar sua imagem após cancelamento online. O caminho dele se cruza com o de Marina (Paola Antonini), jovem mineira que se muda para o Rio de Janeiro escondido dos pais para cursar medicina. Ele precisa de uma namorada de fachada. Ela precisa de dinheiro para realizar seu sonho.
Os clichês funcionam porque o casal funciona

Foto: Reprodução
O roteiro segue praticamente todas as convenções das comédias românticas que já foram vistas: segredos escondidos que causam discórdia, casal que se odeia até se apaixonar… mas ainda assim, funciona porque entende que nenhum clichê é problema quando o público acredita no casal principal.
E é a química entre Paola Antonini e João Vitor Silva que faz o público embarcar nessa história desde o primeiro encontro dos personagens.
Paola Antonini é a alma do filme
Paola demonstra naturalidade impressionante quando está em cena. Seu carisma, já conhecido do público fora das telas, encontra espaço para florescer em uma personagem divertida, confiante e cheia de personalidade.
Apesar de não ter longa carreira na atuação, Paola tem potencial para seguir na profissão e fazer outras grandes obras.
Um protagonista que vai além da fama
João Vitor Silva também merece o destaque que tem no longa. Acostumado a equilibrar drama e humor em seus trabalhos, ele constrói um protagonista carismático e vulnerável. Por trás da fama e do sucesso de João Mendes existe um homem inseguro, constantemente controlado por sua equipe e pressionado pela opinião pública.
Mais uma vez, João demonstra a versatilidade que vem marcando sua trajetória, transitando com facilidade entre os momentos mais leves e as cenas de maior carga dramática.

Foto: Globo/Angélica Goudinho
Inclusão sem transformar a deficiência em definição
Deixa Acontecer evita caminho comum em produções com protagonistas PCD: transformar a deficiência em narrativa de superação. A amputação faz parte da vida de Marina, influencia algumas relações familiares e aparece em momentos importantes, mas jamais define quem ela é.
O mesmo acontece com uma das melhores amigas da protagonista, Thayz, interpretada por Laís Lage, que tem baixa visão. A condição da personagem faz parte de sua vida, mas nunca é utilizada de forma didática ou transformada em elemento central da narrativa.
Um romance com sotaque brasileiro
Acostumados às comédias românticas americanas ambientadas em cafeterias charmosas ou grandes centros urbanos, é refrescante encontrar história que abraça sua identidade brasileira sem medo.
O Rio de Janeiro não serve apenas como cenário. O pagode, o samba, os encontros entre amigos, as praias, os bares e até a forma como os personagens se relacionam ajudam a construir a narrativa com personalidade própria. Enquanto muitas produções do gênero parecem seguir fórmulas importadas, o longa encontra seu diferencial justamente na brasilidade que atravessa cada cena.
Um elenco que fortalece a narrativa

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Para além dos fortes nomes no protagonismo, o filme ainda traz Klara Castanho, Douglas Silva, Débora Lamm, Duda Brack, Mariana Ximenes, Camila Morgado e Danton Mello.
Mariana Ximenes surge como presença divertida e intensa, movimentando parte dos conflitos da trama através de sua personagem ambiciosa.
Danton Mello e Camila Morgado constroem retrato bastante realista de pais que tentam proteger a filha sem perceber que, muitas vezes, estão limitando sua autonomia.
Ed Gama, Débora Lamm e Ricardo Cubba, apesar de estarem em segundo plano, trazem humor em momentos necessários.
Amor, amizade e pertencimento
Um dos momentos mais bonitos do filme acontece quando Marina conversa com João sobre a dificuldade de lidar com o julgamento das pessoas. Enquanto ele sofre com o cancelamento e os olhares provocados pela fama, ela compartilha a experiência de uma vida inteira convivendo com a curiosidade e os preconceitos direcionados à sua amputação. É uma cena simples, mas que resume perfeitamente a sensibilidade do roteiro.
Talvez não seja o filme mais inovador do ano, mas nem parece ter essa pretensão. Sua força está na simplicidade, no carisma do elenco e na forma sensível como aborda temas importantes sem abrir mão do entretenimento. Entre risadas, romance e momentos emocionantes, o longa entrega exatamente o que promete: história leve, acolhedora e impossível de não acompanhar com sorriso no rosto.
Deixa Acontecer é a tradicional comédia romântica brasileira criada com muito charme e que, por acaso, traz uma protagonista PCD extremamente bem construída.
