Fabão revela que participantes estudaram os jurados e conta como mudou sua estratégia em Infiltrado na Cozinha

Fabão revela que participantes estudaram os jurados e conta como mudou sua estratégia em Infiltrado na Cozinha

Foto: Adalberto de Melo Pygmeu

Na primeira temporada de Infiltrado na Cozinha Fabão ainda estava descobrindo como funcionava o jogo, mas a segunda encontrou o jurado disposto a não repetir os mesmos erros. O problema é que os participantes também fizeram a lição de casa. Depois de assistirem aos primeiros episódios, alguns chegaram às novas gravações estudando o comportamento dos jurados e pensando em maneiras cada vez mais elaboradas de confundi-los.

A segunda temporada do reality estreou na quarta-feira (16 de setembro), no GNT e no Globoplay, com Fabão novamente ao lado de Luana Zucoloto e Paola Carosella. Na dinâmica, os jurados precisam descobrir qual dos participantes está fingindo ser profissional na cozinha. Para isso, contam com a observação dos pratos, do comportamento e, agora, com novidades como a sala de interrogatório e as dicas da Esfinge.

Em entrevista exclusiva ao Pittaplay, Fabão conta que voltou para a segunda temporada decidido a errar menos. A experiência anterior fez com que ele passasse a observar não apenas o que os participantes diziam, mas principalmente como seus corpos reagiam enquanto contavam suas histórias: “Fui com a intenção de: chega de ser bobo, chega de errar, não quero mais errar”, brinca. “Me preparei muito em observar o comportamento das pessoas.”

Participantes chegam preparados para enganar os jurados

A experiência adquirida pelos jurados não foi a única coisa que mudou de uma temporada para outra. Os próprios participantes chegaram mais preparados para o jogo. Segundo Fabão, alguns assistiram à primeira temporada e estudaram o comportamento dele, da Luana e de Paola para descobrir como poderiam construir suas estratégias: “Os participantes chegaram muito mais afiados”.

O resultado foi uma série de estratégias que surpreenderam até quem já conhecia as regras do jogo. Fabão lembra de um participante que chegou ao final das gravações contando que precisou bloquear os jurados para não deixar escapar nenhuma informação. A dedicação chegou, segundo ele, a mudanças radicais na aparência.

Sem revelar nomes ou entregar o episódio, o jurado adianta que a nova temporada reserva situações em que os participantes realmente se empenham para sustentar a mentira: “Foi tamanha dedicação para poder nos enganar. Foi absurda, de mudar a cor do cabelo, nesse nível”, revela.

O corpo também pode entregar o infiltrado

Se Luana encontrou no paladar uma de suas principais ferramentas de investigação, Fabão decidiu concentrar sua atenção no comportamento. A ideia é perceber quando alguma reação não combina com a história contada pelo participante: “Tem um episódio muito nessa tecla. O participante tem um momento que não condiz muito com a história que ele está contando, então eu foquei muito no corpo e como a pessoa estava se comportando ali”, explica.

Isso não significa, porém, que o paladar tenha deixado de fazer parte da investigação. Fabão também aprendeu a prestar atenção aos pequenos detalhes dos pratos. Uma experiência da primeira temporada, por exemplo, mostrou como até mesmo um sabor inesperado pode revelar uma pista.

Ele lembra de um prato que apresentou um gosto semelhante ao de querosene. A explicação estava no uso do maçarico, e a situação mostrou ao jurado que detalhes aparentemente insignificantes podem ajudar a encontrar o infiltrado: “São pequenas coisas que você vai pescando”.

A cozinha também acabou transformando a relação pessoal de Fabão com a comida. Ele conta que já cozinhou muito mais quando morava sozinho, mas atualmente divide a cozinha de casa com o marido, Júlio César, que gosta de cozinhar. No reality, entretanto, passou a experimentar ingredientes que antes evitava: “Sei fazer bons pratos, mas não sou grande chef. Mas trabalhar com Infiltrado me aproximou muito mais da cozinha”.

Até ingredientes que antes faziam parte da sua lista de rejeições passaram a ser encarados de outra maneira. Alcaparras e pimenta, por exemplo, ganharam espaço depois da experiência no programa: “Hoje consigo identificar: ‘Ah, isso daqui eu gosto’. Eu me permito comer isso daqui, me permito experimentar. Então, o programa me aproximou mais da cozinha.”

Fabão, Luana e Paola: uma sintonia que ultrapassa as câmeras

A relação entre os três jurados também se fortaleceu na segunda temporada. Fabão já conhecia Paola há cerca de cinco anos, enquanto seu contato com Luana antes do programa havia sido mais pontual. A convivência nas gravações, porém, criou essa parceria: “Trabalhar com elas é um presente, não tem outra palavra.”

Parte dessa sintonia nasceu ainda na primeira temporada. Fabão lembra que, nos primeiros episódios, estava preocupado em falar de maneira mais séria e projetar a voz. Foi Paola quem o incentivou a abandonar essa preocupação: “Lembro da Paola chegar e falar: ‘Se solta, seja você. Você está aqui porque você é você, então não tem por que você querer mudar a voz ou falar mais sério’.”

A orientação fez diferença. Fabão passou a confiar mais no próprio humor, enquanto a convivência com Luana ajudou os dois a entender o tempo das brincadeiras e a construir piadas juntos.

O resultado, segundo ele, aparece tanto diante das câmeras quanto nos bastidores: “É maravilhoso trabalhar com as duas. É um presente trabalhar com as duas”.

Fabão, Luana e Paola formam o trio de jurados da segunda temporada de Infiltrado na Cozinha. Foto Adalberto de Melo Pygmeu
Fabão, Paola e Luana formam o trio de jurados da segunda temporada de Infiltrado na Cozinha.
Foto: Adalberto de Melo Pygmeu

O telespectador também virou investigador

Para Fabão, porém, existe outro elemento que diferencia Infiltrado na Cozinha: a capacidade de colocar quem está assistindo dentro da investigação.

Os três jurados possuem maneiras diferentes de procurar pistas. Luana pode partir do paladar, Fabão observa principalmente o comportamento e Paola utiliza sua experiência técnica na gastronomia. O público, por sua vez, pode escolher qualquer uma dessas linhas ou criar uma completamente própria.

Por isso, Fabão brinca que o telespectador é o “quarto investigador” do programa: “Ele consegue levar para a TV algo que você está vivendo na sala da sua casa”, explica.

O próprio jurado teve essa experiência ao assistir ao primeiro episódio ao lado do marido antes da estreia. Sem revelar nada sobre as gravações, percebeu que os dois haviam construído linhas de raciocínio completamente diferentes: “Minha linha de raciocínio mudou, por isso, acho que o diferencial do Infiltrado na Cozinha é isso.”

A segunda temporada amplia ainda mais essa participação e a  sala de interrogatório coloca os jurados frente a frente com os participantes, enquanto a Esfinge passa a oferecer dicas que podem ajudar ou simplesmente deixar a investigação ainda mais confusa.

Entre mistério, humor e pratos elaborados

Sem entregar spoilers, Fabão promete que os novos participantes estão dispostos a usar todas as armas disponíveis para tentar escapar da investigação. Alguns podem apostar no lado sentimental, outros na técnica e há até quem recorra à sedução: “Você fica sem saber”.

Além das estratégias dos participantes, o jurado destaca a evolução gastronômica dos pratos apresentados ao longo da temporada. Para quem está chegando agora ao reality, ele acredita que o programa consegue prender por diferentes caminhos: “Ele vai te fisgar pelo mistério, ele vai te fisgar pela barriga, ele vai te fisgar pelo amor”.

A brincadeira continua sendo descobrir quem está mentindo, mas a graça está em não existir uma única maneira de chegar à resposta.

Um “abraço” no Fabão criança

A participação em Infiltrado na Cozinha também faz parte de trajetória que, para Fabão, ganhou novos significados nos últimos anos. Ele se considera um dos “filhos da pandemia”, período em que começou a produzir conteúdo para a internet e encontrou um novo caminho profissional.

A visibilidade trouxe oportunidades que ele próprio já havia imaginado, mas que ainda causam surpresa quando acontecem. Ver sua imagem no Globoplay ou em um comercial ainda provoca um certo espanto: “Estaria mentindo se falasse: ‘Não, nunca imaginei’. Mas é muito diferente o imaginário realizar”, conta.

Mais do que estar na televisão, Fabão valoriza a sensação de ter chegado ali pelo trabalho desenvolvido ao longo dos anos. Ele conta que durante muito tempo foi identificado principalmente como “a pessoa engraçada”, mas passou a enxergar seus projetos como resultado também do que estudou, leu e buscou aprender: “Hoje eu vejo que eu estou nesses lugares por conta do meu trabalho.”

Essa conquista também ganha significado especial por causa de sua origem. Fabão cresceu no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, e recebeu de um rapaz que ainda mora na região uma mensagem que o marcou: ele havia passado pelo lugar onde o jurado morou e pensado nele.

A lembrança fez Fabão perceber que poderia representar uma referência para alguém que estivesse vivendo uma realidade parecida. “Sinto dentro de mim um abraço naquele Fabão lá do Complexo, que subia na laje e olhava para o morro e queria saber o que tinha além.”

É com essa sensação que ele olha para o momento profissional atual. Entre a segunda temporada de Infiltrado na Cozinha, a turnê de É Nóia Minha pela Europa ao lado de Camila Fremder e novos projetos que ainda não pode revelar, Fabão diz estar realizado, mas sem perder a vontade de continuar: “Tenho realização muito grande, um prazer muito grande, mas com aquela sensação de: ‘Nossa, a gente pode fazer tanto mais’.”

E, quando o assunto é Infiltrado na Cozinha, ele não esconde a vontade de continuar investigando por muitos anos. “Três, quatro, cinco, dez temporadas na cozinha, porque é muito possível”, brinca.

A segunda temporada de Infiltrado na Cozinha vai ao ar às quartas e sextas-feiras, às 21h45, no GNT e no Globoplay. O primeiro episódio também está disponível para não assinantes.

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