O amor nem sempre chega com barulho. Às vezes, ele se instala devagar, como quem pede licença, mas, no fundo, já sabe que veio para ficar. Não há fogos, não há aviso. Só presença. Só permanência.
É desse tipo de sentimento que nasce Aqueles 2 Garotos, HQ que ganha novo fôlego e chega ao público no próximo dia 13 de abril, pela Flyve. Em entrevista exclusiva à coluna Por Trás das Páginas, do Pittaplay, o autor Deluca abre não só o processo criativo da obra, mas também as camadas emocionais que sustentam essa história que pulsa afeto, descoberta e intensidade.
“Agora eu acredito que, finalmente, ‘meus garotos’ vão ter a chance que merecem de encontrar seus leitores”, afirma o autor.
O lançamento carrega mais do que expectativa, carrega resistência. A obra já havia sido publicada anteriormente por uma editora independente que encerrou suas atividades pouco tempo depois. Agora, retorna com a promessa de alcançar o público que sempre esteve à espera.
Uma história que não nasceu de um momento, mas de muitos


Diferente de narrativas que surgem em um instante exato, Aqueles 2 Garotos foi sendo construída aos poucos. Fragmentada no início, quase tímida, até encontrar sua forma: “A história foi nascendo aos poucos… primeiro uma ideia, um conto. Com o tempo, ela foi se estruturando melhor e tomando forma”, conta Deluca.
E existe uma razão clara para isso: “O mundo precisa de mais histórias de amor. Porque o mundo precisa de mais amor”.
A frase não é só justificativa, é manifesto.
Quando escrever e desenhar se tornam o mesmo gesto
Responsável tanto pelo roteiro quanto pelas ilustrações, Deluca constrói uma obra em que palavra e imagem não competem, se completam.
O processo criativo começa antes mesmo do papel: “Primeiro veio a vontade de contar essa história… depois comecei a rabiscar, dar vida aos personagens”, relembra.
Se no primeiro volume a criação foi mais intuitiva, guiada por uma “espinha” narrativa, os próximos capítulos surgem com estrutura mais definida, sem perder a liberdade: “Hoje coloco roteiro e diálogos no papel antes, mas ainda me dou liberdade total para me expressar através do desenho”.
E talvez o maior desafio esteja justamente em transformar ideia em experiência: “Às vezes a ideia parece ótima na cabeça. Mas, se eu não conseguir expressá-la, então eu fracassei.”
O que não se diz também conta


Em Aqueles 2 Garotos, o silêncio não é ausência, é linguagem: “Às vezes, um olhar ou um gesto dizem mais do que muitas palavras”, explica o autor.
Essa compreensão da narrativa visual transforma cada quadro em espaço de leitura sensível, onde o leitor não apenas acompanha, ele sente.
Representar também é um ato de cuidado
A HQ também se posiciona como parte de um movimento necessário: o de ampliar vozes e histórias LGBTQIAP+ na arte: “É fundamental que pessoas LGBTQIAP+ se vejam retratadas em todas as artes”, destaca Deluca.
Mas há um efeito que vai além da representatividade: “Isso abre espaço para que quem não faz parte desse grupo olhe com mais gentileza. É daí que nasce a empatia”.
Um amor que não grita, mas permanece
Embora não seja autobiográfica, a história carrega marcas pessoais: “São minhas dores, amores, traumas e alegrias que estão ali de alguma maneira”.
E talvez seja isso que faz com que a conexão com o leitor aconteça de forma tão orgânica, porque, no fim, toda história de amor fala um pouco sobre quem a conta.
Mais que um lançamento, um recomeço
Para Deluca, ver Aqueles 2 Garotos chegar novamente ao público é mais do que um marco editorial: “Representa a realização de um sonho”. E o sucesso, para ele, não se mede em números, mas em impacto: “Alcançar pessoas que se sintam tocadas, de alguma forma, por essa história”.
Por que ler Aqueles 2 Garotos?
A resposta vem do próprio autor e talvez seja impossível dizer melhor: “É a história de como o amor pode chegar sem alarde… e, quando menos se espera, já é absoluto e inevitável”.
Aqueles 2 Garotos será lançado no dia 13 de abril, pela Flyve.E, se depender do que já pulsa nas entrelinhas, essa não é uma história que passa.
É uma história que fica.







